Eleição presidencial com abstenção recorde de 60,5%

As eleições presidenciais deste domingo deverão registar uma abstenção entre 50 a 60%, segundo as projeções. O anterior máximo tinha sido em 2011, na reeleição de Cavaco Silva, com 53,5%.

Com todos os votos contados, a taxa de abstenção ficou nos 60,5%, segundo os dados do Ministério da Administração Interna. Isto significa que dos 10.791.490 eleitores inscritos, apenas votaram 4.261.209. Ou seja, houve 6.530.281 eleitores que não votaram. Esta taxa de abstenção é superior aos 53,5% registados nas eleições presidenciais da reeleição de Cavaco Silva, em 2011, o anterior máximo.

Contudo, há algumas explicações para este valor, desde logo a pandemia, o que terá servido como um desincentivo ao voto para alguns eleitores com maior receio de infeção. Muitos milhares de eleitores foram impedidos de votar por terem ficado infetados ou em isolamento profilático após a data limite para se inscreverem no voto domiciliário.

Além disso, houve muitos emigrantes impedidos de votar uma vez que o tinham de fazer presencialmente quando em muitos países também há restrições severas por causa da pandemia. Acresce que o número de eleitores inscritos é significativamente superior porque a partir de 2018 começou o recenseamento automático dos eleitores no estrangeiro, aumentando em cerca de um milhão os eleitores inscritos.

A taxa de abstenção em território nacional (continente e ilhas) fixou-se nos 54,5%. Já a taxa de abstenção foi esmagadora: 98%, ou seja, apenas 27.615 eleitores num universo de um milhão e meio de eleitores.

Em 2016, houve 4.740.558 votantes. Em 2021, 4.261.2019 votantes. Ou seja, houve menos 479.349 pessoas a votar nestas eleições presidenciais face às anteriores. De notar que em 2016 havia uma mudança ao contrário de em 2021 em que havia uma reeleição, o que tradicionalmente leva a uma menor participação eleitoral.

As razões da abstenção: pandemia e emigração

Além das dificuldades e medos relacionados com a pandemia, a abstenção nestas eleições presidenciais também foi afetada pela falta de solução para o voto dos emigrantes portugueses e das pessoas a quem as autoridades de saúde decretaram confinamento depois de dia 14 de janeiro, as quais já não conseguiram requerer o voto no domicílio e, portanto, ficaram sem votar. No total, podem não ter conseguido votar 135.884 pessoas, a não ser que tenham votado antecipadamente.

Quanto aos emigrantes, não existe uma estimativa do número de pessoas afetadas, mas como as restrições da pandemia não são exclusivas de Portugal, existindo também nos países onde estão os emigrantes, é expectável que a maioria dos cerca de 1,5 milhões de portugueses que estão recenseados fora do país não consiga votar. Os emigrantes que regressaram ao país nos últimos meses, mas que continuem recenseados fora do país também não conseguiram votar antecipadamente em território nacional por causa da lei eleitoral. Para votar teriam obrigatoriamente de deslocar-se à respetiva embaixada e exercer esse direito presencialmente.

A abstenção dos emigrantes deverá ser ainda mais visível nestas eleições presidenciais do que nas anteriores uma vez que o recenseamento automático a partir de 2018 levou a um aumento de eleitores inscritos. Por exemplo, em 2016, nas presidenciais, havia 9.741.377 eleitores inscritos, segundo os dados do Ministério da Administração Interna. Três anos depois, nas legislativas, em 2019, havia 10.810.674 eleitores inscritos, um número que deverá ser próximo dos eleitores inscritos nestas presidenciais.

Projeções apontavam para entre 50 a 60%

As eleições presidenciais de 2021 que se realizaram este domingo, 24 de janeiro, no meio do pior momento da pandemia em Portugal, deverão ter registado uma abstenção recorde entre 54,5% e 58,5%, de acordo com a projeção da TVI divulgada às 19h, o que supera o máximo de 53,5% registado em 2011.

No caso da SIC, a projeção da abstenção aponta para o mesmo cenário com um intervalo de 56% a 60%. Contudo, ainda não é certo que a taxa de abstenção chegue a um recorde: no caso da RTP, a projeção admite um cenário em que há uma taxa de abstenção abaixo da de 2011: o intervalo vai de 50% a 55%.

De manhã, até às 12h, a afluência às urnas era de 17,07%, o que superava os 15,82% registados em 2016 à mesma hora. Contudo, esta percentagem já contava com o voto antecipado de 17 de janeiro que ganhou uma proporção muito maior nestas eleições presidenciais: ao todo, antes de domingo já tinham votado 197.903 pessoas em mobilidade e 12.906 pessoas em lares ou em isolamento profilático.

Contudo, às 16h já se notava uma participação eleitoral mais baixa por parte dos portugueses nestas eleições presidenciais, apesar das medidas tomadas para que o voto fosse seguro. A afluência a meio da tarde era de 35,44%, já abaixo dos 37,69% em 2016. Na eleição ganha por Marcelo Rebelo de Sousa à primeira volta a abstenção foi de 51,3%, ligeiramente abaixo dos 53,5% registados em 2011 na reeleição de Cavaco Silva.

(Notícia atualizada às 00h30 com os resultados finais)

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