Marcas passam cheques para vender elétricos. E até dão carregamentos

Vendas de carros elétricos estão a resistir à pandemia. Mais modelos, com mais autonomia e mais baratos ajudam a explicar o aumento das vendas. E as marcas apostam em "borlas" para manter a tendência.

Os automóveis elétricos estão a conquistar as estradas portuguesas. São ainda poucos, mas têm vindo a ganhar quota no mercado nacional, reflexo não só da crescente oferta de modelos pelas mais variadas marcas, mas também dos incentivos à adoção desta nova forma de mobilidade. Aos “cheques” do Estado para comprar estes veículos, que ainda não estão disponíveis este ano, juntam-se os das fabricantes. E as “borlas” chegam até ao pagamento da conta da luz.

Num ano em que a indústria automóvel sofreu de forma expressiva com a pandemia, o mercado dos elétricos continuou a crescer. Enquanto a venda de ligeiros de passageiros como um todo apresentou uma quebra de 33,9% face ao ano anterior, a comercialização de ligeiros de passageiros 100% elétricos subiu 13,8%. Chegaram às estradas nacionais mais 7.830 veículos que, em vez de gasolina ou gasóleo, usam apenas eletricidade para se moverem.

É uma tendência que vem de trás, explicada em parte pela crescente oferta destes veículos totalmente elétricos, bem como pelo surgimento no mercado de modelos com maior autonomia. É cada vez mais comum um automóvel elétrico, mesmo dos mais pequenos, oferecer até 300 quilómetros com apenas uma carga.

Outro fator que explica o apetite por estes automóveis tem sido o surgimento de modelos um pouco mais baratos, em torno dos 20 mil a 30 mil euros, a que se juntam os “cheques” do Estado. O Fundo Ambiental tem atribuído incentivos à compra destes veículos — concedeu 700 apoios de 3.000 euros a particulares e 668 a empresas –, preparando-se este ano para fazer o mesmo.

Exemplo de um apoio à compra de elétricos da marca Nissan.

O valor dos “cheques” do Estado será o mesmo este ano, mas ainda não estão abertas as candidaturas. Enquanto não há esse apoio, há muitos outros, mas criados pelas próprias marcas. Um dos mais apelativos é o da Nissan que, diz a marca, “triplica o incentivo do Governo”. Ou seja, em vez dos 3.000 euros, os consumidores obtêm um desconto três vezes mais expressivo.

No site da Nissan é apresentada uma redução de “até 10.000 euros” no valor do modelo Leaf, que, assim, fica disponível por valores a partir dos 26.830 euros. É um “PVP promocional para particulares em Portugal Continental incluindo incentivo do Governo, envolvendo financiamento RCI Banque”, refere a marca, que oferece também uma Wallbox [carregador] de 74 KW para instalar na casa do cliente.

É a oferta mais “choruda”, mas há outras que prometem descontos até aos 6.000 euros. É o caso da Opel. A fabricante alemã oferece um “desconto de 6.000 euros, válido para o modelo Corsa-e (desconto apresentado inclui 3.000 euros de incentivo do Estado à compra de veículos de baixas emissões)”, a que se soma o programa Opel EcoTrade, que “implica a entrega para abate de um veículo”.

Exemplo de apoio à compra da marca Honda.

Nestes “incentivos”, nota também para o da Honda, que se prepara para lançar no mercado nacional o primeiro modelo 100% elétrico, o Honda e. “Agora com incentivo até 4.750 euros”, lê-se no site da fabricante nipónica. Este novo modelo está disponível por valores a partir dos 36.000 euros.

No caso da Hyundai, “o seu carro vale até mais 4.000 euros na compra de um elétrico” da marca, indica a empresa, enquanto a Peugeot apresenta descontos diferenciados consoante os modelos. Chegam aos 3.500 euros nos casos do e-208 e e-2008, baixando para 3.000 ou 2.500 euros no caso de modelos híbridos da marca. A Jeep, por seu lado, apresenta descontos até 6.000 euros para os seus modelos híbridos, valor que implica a entrega de uma retoma.

Até há quem pague a conta da luz

Tudo o que sejam apoios que possam reduzir a fatura pesada da compra de um automóvel — nomeadamente de um elétrico, tendencialmente mais caro — acaba por atrair mais condutores. Daí este esforço das várias marcas, muitas vezes apoiando-se no incentivo oferecido pelo Governo através do Fundo Ambiental. Mas há outras formas ajudar a aliviar os encargos.

Algumas marcas põem em cima da mesa ofertas que tornam mais em conta a utilização do carro elétrico em si. É o que acontece, por exemplo, com a Renault ou a Kia, de acordo com uma pesquisa realizada pelo ECO.

“A GalpElectric e a Renault juntaram-se na criação de vantagens exclusivas para si no cartão GalpElectric”, uma parceria que oferece “descontos bonificados sobre o seu termo de energia”, diz a marca. E esses descontos vão desde 10% sobre a energia até ao “Plano Casa + Mobilidade elétrica”, que lhe permite ter acesso a “20% de desconto na eletricidade sobre o período noturno (vazio) para carregar o seu carro em casa”.

A Kia oferece aos clientes o cartão GOElectric que tem “vantagens exclusivas e o acesso a mais de 1.000 postos de carregamento espalhados pelo país”. Na compra de modelos Kia híbridos plug-in e 100% elétricos, a marca dá seis meses de eletricidade, sendo esta oferta limitada a energia equivalente a 2.500 quilómetros.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história e às newsletters ECO Insider e Novo Normal.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Marcas passam cheques para vender elétricos. E até dão carregamentos

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião