Com fronteiras fechadas, aviação pode operar apenas 30% dos voos em junho

A TAP suspendeu 93% da operação em fevereiro por causa do encerramento das fronteiras, mas o impacto das restrições não deverá passar antes do segundo semestre do ano, segundo a Eurocontrol.

As restrições de viagens aplicadas em vários países para travar o contágio de Covid-19 irá ter impacto na aviação europeia ao longo de vários meses e, em junho, menos de metade da operação estará recuperada. A portuguesa TAP já anunciou a suspensão de 93% da operação em fevereiro e a organização internacional Eurocontrol alerta para a “rápida deterioração” da situação, que poderá levar a quedas ainda maiores.

“É claro que os meses de fevereiro e março serão excecionalmente baixos por toda a rede, exceto transporte de carga, tráfego profissional e serviços já agendados”, diz Eamonn Brennan, diretor-geral da Eurocontrol, em comunicado. “Mesmo em abril é esperado um desempenho muito fraco com apenas uma recuperação limitada no período da Páscoa. Os voos na Europa irão provavelmente ser apenas 25% a 30% do normal. É um desastre completo para a aviação europeia, que já estava de joelhos”.

Com estirpes mais contagiosas em circulação, o aumento dos casos de Covid-19 e a pressão nos hospitais, muitos países estão a fechar fronteiras, obrigar à apresentação de teste negativo à entrada ou a quarentena. A Comissão Europeia desaconselha “fortemente” viagens para os países mais afetados, grupo em que se incluem Portugal, Espanha, parte de Itália e de França, alguns países escandinavos.

Em Portugal, arrancou este domingo um novo período de estado de emergência com medidas mais duras, incluindo em relação a viagens internacionais. Os cidadãos em Portugal estão proibidos de se deslocarem ao estrangeiro, por qualquer via, a não ser para deslocações essenciais. Além disso, passageiros que cheguem ao país terão de se sujeitar a confinamento obrigatório. Voltou também o controlo de fronteiras terrestres e por via marítima.

O cenário levou, este fim de semana, a TAP a anunciar uma redução da operação para fevereiro — mantendo apenas 7% dos voos face ao período homólogo e para cidades com comunidades portuguesas significativas — e à Eurocontrol a rever em baixa as projeções para os próximos meses. Este mês, é esperado um tráfego 72% a 74% abaixo do normal, semelhante a março. A partir daí, serão as medidas de contenção e a vacinação a determinar o futuro do setor.

“O que continua pouco claro é a situação que se segue. É razoável esperar que a situação epidemiológica melhore em vários países europeias no segundo trimestre e que os cidadãos mais vulneráveis sejam vacinados (apesar dos atrasos de implementação). Por sua vez, isto poderá levar a que as viagens aéreas não essenciais se tornem mais acessíveis”, explica Brennan.

Este é o cenário mais benigno, no qual haveria já uma ligeira retoma no segundo trimestre, seguido de uma grande recuperação no período do verão. Se for este o caso, então, a aviação europeia chegaria a junho com níveis de operação cerca de 55% inferiores ao período pré-Covid.

“No entanto, é também razoável esperar que, mesmo que a situação epidemiológica melhore no segundo trimestre, muitos Estados-membros venham a escolher não relaxar as restrições nacionais a viagens, o que iria reduzir severamente a procura e impedir qualquer possibilidade de a aviação melhorar até, pelo menos, ao período do verão. Nesse caso, então estaremos a olhar para uma quebra de 70% em junho“, acrescenta o diretor geral da Eurocontrol.

Cenários da Eurocontrol para a aviação europeia

Fonte: Eurocontrol – projeções de dia 28 de janeiro de 2021 | Base: 2019

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