“Emissão histórica” de dívida pública vai trazer “poupança significativa para os contribuintes”

"Emissão histórica comprova o trabalho e a política económica e financeira que Portugal tem conseguido executar", fiz o Ministério das Finanças.

Portugal financiou-se em 3 mil milhões de euros numa emissão de dívida de muito longo prazo que gerou forte interesse junto dos investidores: procura superou os 40 mil milhões. Foi, diz o Ministério das Finanças, uma “emissão histórica”, tanto pelo apetite registado no mercado, como pela taxa de juro de pouco mais de 1%. Vai gerar uma “poupança significativa para o país e para os contribuintes”.

Naquela que foi a segunda operação de financiamento do Estado, este ano, o Governo recorreu a um sindicato bancário para colocar uma emissão com maturidade em 2052. “A emissão, com prazo 30 anos (abril de 2052) e um custo de 1,022%, contribui positivamente para um alongamento da maturidade média e para a diminuição do custo médio da dívida total”, diz o ministério de João Leão.

Mais impressionante que a taxa baixa, que representa “uma poupança significativa para o país e para os contribuintes”, foi a forte procura por esta operação realizada após ter sido revelada a contração histórica de 7,6% da economia portuguesa em 2020, embora “menos severa do que a estimada pelo Governo e outras instituições”.

"A procura pelas obrigações do Tesouro colocadas vem comprovar o trabalho e a política económica e financeira que Portugal tem conseguido executar no atual contexto. ”

Ministério das Finanças

“A procura pelas obrigações do Tesouro colocadas vem comprovar o trabalho e a política económica e financeira que Portugal tem conseguido executar no atual contexto. Considerando a política atual do Banco Central Europeu, o livro de ordens atingiu um montante de 40 mil milhões de euros, ou seja 13,3 vezes superior à oferta de 3 mil milhões de euros“, notam as Finanças.

Alongar maturidade da dívida, sem encargos extra

Esta emissão de dívida sucedeu-se ao leilão de títulos a 10 anos realizado recentemente, em que pela “primeira vez, para o prazo de 10 anos, obrigações do Tesouro com uma yield negativa, resultando numa taxa média dessa colocação de 0,19%”, lembra o ministério. Mesmo com juros negativos a 10 anos, Portugal resolveu financiar-se num prazo mais longo, com custos. Mas Leão sublinha o benefício de alongar a maturidade da dívida sem encargos adicionais.

“A escolha do prazo teve por objetivo completar a curva de rendimentos das obrigações do Tesouro, abrindo um novo benchmark a 30 anos (abril de 2052), de forma a reforçar a qualidade do acesso ao mercado e atrair investidores real money, como seguradoras e fundos de pensões, habitualmente presentes na parte longa da curva, diversificando as fontes de financiamento e favorecendo também o pricing da restante curva em termos globais”, diz.

Ciente do contexto de juros negativos no prazo a 10 ano, a referência no mercado, o Ministério das Finanças nota, contudo, que o “diferencial de preço a pagar pela República, por prazos mais longos, comparativamente com prazos mais curtos, encontra-se em mínimos históricos”. Neste sentido, a “realização de uma emissão com uma maturidade maior permite também alongar a maturidade média da dívida, sem contribuir desfavoravelmente para o aumento de encargos”, garante.

(Notícia atualizada às 17h17 com mais informação)

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