Preços das casas descem em Lisboa. Pandemia está a travar investidores estrangeiros

Mesmo a meio de uma pandemia, os preços das casas sobem. Em Lisboa houve mesmo uma queda de 2% nos preços, explicada pela oferta mais cara numa altura de menor procura dos estrangeiros.

Os preços das casas continuam a aumentar apesar da pandemia e, no terceiro trimestre do ano passado, a subida foi de quase 8%. Mas o ritmo de subida tem vindo a perder força. Em Lisboa, os preços até caíram quase 2% entre julho e setembro. Inversão de tendência? Resposta está na oferta. Casas com preços mais elevados são mais difíceis de escoar sem os compradores estrangeiros.

Apesar de os preços a nível nacional terem subido 7,6% no terceiro trimestre do ano passado, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o ritmo de aumento tem sido cada vez menor. No trimestre anterior, por exemplo, a subida tinha sido de 9,4%. Ao ECO, o CEO da Century 21 explica que “os segundo e terceiro trimestres de 2020 foram os mais afetados pelo impacto da pandemia e pelo início do confinamento e, por esse motivo, são normais estes ajustes“.

Ricardo Sousa diz que tem havido um “aumento do valor médio dos imóveis transacionados, tanto a nível nacional, como nas diferentes cidades e capitais de distrito”. E isso explica-se pela “falta de oferta no segmento médio e médio baixo” e pelo “financiamento [bancário] que continua disponível e que faz com que a procura continue ativa”, tal como detalha este artigo do ECO.

“Mercado interno tem mais dificuldade em escoar” casas em Lisboa

Mas, apesar destes aumentos de preços, houve um município (entre os que têm mais de 100.000 habitantes) que, de acordo com o INE, viu os preços diminuírem. Lisboa assistiu a uma descida de 1,8% dos preços das casas entre julho e setembro. Para o presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), “quando se começam a verificar ajustes dos valores de oferta, é natural que comecem pelos sítios onde estes valores são superiores, que é o caso de Lisboa”.

Em declarações ao ECO, Luís Lima nota que “a decisão de compra de casa ou de investimento em imóveis tem sido adiada para períodos mais estáveis” devido à instabilidade e incerteza causada pela pandemia. E isso resulta numa “diminuição da procura, e consequentemente, no reajuste dos preços praticados”.

E Lisboa é a cidade onde este facto mais se verifica, “uma vez que é também neste que se localizam mais imóveis dirigidos para um segmento alto, com preços mais elevados, que o mercado interno tem mais dificuldade em escoar“, continua o responsável, que aproveita para sublinhar que “o mercado estrangeiro não tem dado resposta devido à situação sanitária”.

Para o futuro, o CEO da Century 21 acredita que Portugal vai assistir a uma “estabilização dos preços”. “Mas não são expectáveis reduções significativas dos preços, mas sim uma estabilização dos preços”, sublinha.

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