Há um batalhão de assessores a trabalhar na reestruturação da TAP

O mediador que já tinha sido chamado pelo Governo durante a greve dos motoristas é a nova contratação para ajudar a desbloquear o processo, mas não é o primeiro consultor externo.

A TAP e o Governo chamaram uma série de consultores e assessores para ajudar na reestruturação da companhia aérea. Desde a avaliação da situação, ao desenho do plano, passando pela negociação com os sindicatos, foram chamados profissionais de pelo menos seis empresas diferentes.

“O Dr. Guilherme Dray, partner da Macedo Vitorino & Associados, está a prestar o apoio legal ao Ministério das Infraestruturas e da Habitação na gestão do dossiê das sociedades Transportes Aéreos Portugueses, S.A. (TAP, S.A.), Portugália – Companhia Portuguesa de Transportes Aéreos, S.A. (PGA, S.A.) e Cateringpor – Catering de Portugal, S.A. (Cateringpor, S.A.), em especial na parte relativa aos impactos laborais decorrentes da declaração destas empresas como estando em situação económica difícil“.

O Ministério liderado por Pedro Nuno Santos confirmou assim ao ECO a notícia avançada pelo Observador de que tinha sido contrato um mediador para as negociações entre a TAP e os sindicatos com vista a um acordo de emergência que substitua de forma provisória os acordos de empresa suspensos.

O advogado — que já tinha sido chamado pelo Governo para ajudar na greve dos motoristas de matérias perigosas — tem uma função muito específica de desbloquear o impasse entre as duas partes. Este não é, no entanto, o primeiro escritório de advogados que é chamado.

A Vieira de Almeida (VdA) assessorou o Estado Português e a Parpública, no contexto de auxílio de Estado até 1,2 milhões de euros à TAP, bem como na aquisição, pelo Estado, de mais 22,5% do capital social da TAP SGPS que, juntamente com a participação de 50% já detida pela Parpública, levou o Estado português a passar a deter direta e indiretamente 72,5% do capital. Por seu turno, a transportadora aérea foi assessorada pela PLMJ. Entre um lado e o outro, foram 17 pessoas envolvidas, apesar de a companhia aérea ter uma equipa jurídica própria com mais de 30 profissionais.

Além desta área, foram ainda contratados assessores noutras áreas para trabalhar no âmbito do plano de reestruturação, como o Deutsche Bank para a área financeira e a Cunha Vaz & Associados para a comunicação (sendo que a equipa interna da TAP tem 20 elementos).

Há ainda um consultor estratégico, a Boston Consulting Group (BCG), que foi responsável pelo esqueleto da proposta de plano estratégico que Portugal enviou para Bruxelas. Após ter tido esse papel, a BCG tem tido também parte nos encontros entre TAP e sindicados, pelo managing partner Carlos Elavai.

A TAP, tal como a Portugália e a Cateringpor, foi decretada empresa em situação económica difícil, o que permitiu suspender já os acordos de empresa, enquanto aguarda o ok final de Bruxelas para avançar com o início do plano de reestruturação. Deverão sair mais de 3.250 trabalhadores (entre efetivos e contratos a prazo) e, quem fica, irá sofrer uma redução salarial de 25%.

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