Mais de metade dos restaurantes estão encerrados. Um em cada cinco não pagou salários de janeiro

Janeiro, mês de confinamento, foi sinónimo de portas fechadas para metade dos restaurantes. Com perdas de faturação superior a 60%, um quinto não conseguiu pagar salários.

O ano arrancou com um novo confinamento e isso foi sinónimo de fortes perdas de faturação para as empresas. Metade do setor da restauração está de portas fechadas e apenas 26% recorreu ao serviço de take-away, mostra um inquérito da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP). No setor hoteleiro o cenário é semelhante, com mais de metade dos hotéis a registar perdas superiores a 90% de faturação.

“A situação de extrema fragilidade que a pandemia tem vindo a provocar ao longo dos últimos 11 meses nas atividades da restauração, similares e do alojamento turístico está a deixar milhares de empresas e muitos milhares de postos de trabalho sem qualquer viabilidade“, refere a associação, em comunicado enviado esta segunda-feira, no âmbito de mais um inquérito ao setor.

A associação refere ainda que “mais de 95% de micro e pequenas empresas da restauração e alojamento não têm capacidade para aceder à complexidade” dos apoios anunciados pelo Governo. Assim, a AHRESP propôs ao Executivo a criação de um Mecanismo Único de Apoio às Empresas, que “permita um acesso ágil, simplificado e concentrado, através de uma única candidatura, aos apoios disponíveis”.

Um quinto dos restaurantes não pagou salários

Os dados mais recentes mostram que 51% dos restaurantes estão totalmente encerrados, sendo que apenas 26% recorreram ao serviço de take-away e delivery, como o Governo permitiu, de forma a colmatar a perda de faturação. E os resultados de janeiro estão à vista: 79% das empresas assistiram a quebras de faturação acima dos 60%, o que levou a que 18% não tenham conseguido pagar os salários nesse mês, enquanto outros 34% recorreu a empréstimos para poder saldar esses pagamentos.

Os números revelam ainda que 44% das empresas já despediram trabalhadores desde o início da pandemia, enquanto 19% assumem mesmo que não conseguirão manter todos os postos de trabalho até ao final do primeiro trimestre. 25% dos restaurantes optaram por não se candidatar ao lay-off simplificado, dos quais 14% não o fizeram para terem a possibilidade de despedir funcionários.

Relativamente aos recentes apoios a fundo perdido anunciados pelo Governo no âmbito do Programa Apoiar, o inquérito da AHRESP mostra que “muitas empresas vão ficar de fora”: 38% dos restaurantes não se candidataram, dos quais 67% não cumprem os requisitos de acesso. Quanto à iniciativa mais recente — Apoiar Rendas –, 35% das empresas dizem estar excluídas, sobretudo por não cumprirem a quebra de faturação igual ou superior a 25%.

Para fevereiro, 67% das empresas estimam perder mais de 75% da faturação, enquanto para abril, 29% dos restaurantes estimam quebras acima dos 75%. Face a este cenário, 36% das empresas ponderam avançar para insolvência, “dado que as receitas realizadas e previstas não permitirão suportar todos os encargos que decorrem do normal funcionamento da sua atividade”.

Apenas 12% dos hotéis têm reservas para a Páscoa

No setor hoteleiro o cenário é semelhante, com 31% dos hotéis a referirem estar com a atividade suspensa. Quanto aos que estão em funcionamento, 42% não registaram qualquer ocupação e 32% tiveram uma ocupação até 10%. Para fevereiro, 65% das empresas apontam para uma taxa de ocupação zero. Apenas 12% das unidades hoteleiras têm reservas para a Páscoa.

Em janeiro, a quebra de faturação foi “devastadora”, refere a AHRESP, com 56% dos hotéis a perderem mais de 90% da faturação. Como consequência, 26% das empresas não conseguiu pagar salários e 8% apenas pagaram uma parte da remuneração devida aos funcionários.

Desde o início da pandemia, 28% dos hotéis já despediram funcionários, sendo que 34% deste universo cortou mais de 50% dos postos de trabalho. Observa-se ainda que 8% das empresas não vão conseguir manter todos os postos de trabalho até ao final do primeiro trimestre.

No que diz respeito aos apoios à manutenção dos postos de trabalho, 29% das empresas não foram elegíveis ao Apoio à Retoma Progressiva, e destas, 17% indicaram como motivo terem recorrido ao Incentivo Extraordinário em 2020, na modalidade de dois salários mínimos nacionais. “Quanto aos novos programas de apoio a fundo perdido, muitas empresas vão ficar de fora”, diz a AHRESP.

50% dos hotéis não se candidataram ao Apoiar.PT, dos quais 34% por não cumprirem os requisitos de acesso. Quanto ao Apoiar Rendas, 21% das empresas também indicaram estar excluídas, das quais 25% pelo facto de o contrato não ser enquadrado como arrendamento para fins não habitacionais e 15% por terem registado quebras inferiores a 25%.

Face a este cenário, 16% das empresas ponderam avançar para insolvência por não conseguirem suportar todos os normais encargos da sua atividade.

(Notícia atualizada às 12h54 com mais informação)

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