Siza diz que Vítor Fernandes “não participou nas decisões de crédito” da CGD, mas decisão de idoneidade cabe aos supervisores

O ministro da Economia diz que o Governo está "muito confortável" com o convite dirigido a Vítor Fernandes para ser chairman do Banco de Fomento.

O ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, confirmou e defendeu esta quarta-feira numa audição no Parlamento a escolha de Vítor Fernandes, que passou pela administração da Caixa e do Novo Banco, para ser o próximo chairman do Banco Português de Fomento (BPF). O ministro esclareceu que Vítor Fernandes não participou nas decisões de crédito da CGD que foram analisadas na comissão de inquérito e recorda que o gestor será alvo da avaliação dos supervisores quanto à sua idoneidade.

O doutor Vítor Fernandes tem uma carreira inteira na banca“, começou por explicar Siza Vieira, relembrando logo que “a nomeação de titulares para órgãos do Banco de Fomento está sujeito a fit and proper e à verificação de idoneidade pelas autoridades de supervisão nacionais e europeias”. Atualmente a administração do BPF é provisória.

Quanto à passagem de Vítor Fernandes pela CGD, numa altura em que o banco público deu vários créditos problemáticos, um tema que tem vindo a ser questionado pelo BE e pelo PSD, Siza Vieira garantiu que o gestor, enquanto esteve na administração da Caixa Geral de Depósitos (CGD), “era responsável pelas áreas de marketing e operações e pelo acompanhamento do grupo de segurador Fidelidade” e, por isso, “não participou nas decisões de crédito que foram objeto de avaliação no âmbito da comissão parlamentar de inquérito”.

Mais tarde, o ministro da Economia manifestou a sua confiança de que as pessoas selecionadas são “profissionais” e “têm perfil” para o banco de fomento.

Esta terça-feira, também numa audição parlamentar, o ministro das Finanças, João Leão, assegurou tratar-se de alguém com um currículo “relevante”. Nessa audição a questão foi levantada por Mariana Mortágua que lembrou uma proposta do PS no âmbito da comissão de inquérito à Caixa, em 2019. Os socialistas pretendiam que constasse no relatório final a ideia de que “Maldonado Gonelha, Armando Vara, Celeste Cardona, Francisco Bandeira, Norberto Rosa e Vítor Fernandes tiveram intervenção direta nos créditos mais problemáticos”.

Na altura, o visado enviou um “direito de resposta” ao Parlamento: “Tal alusão e conclusão, no que a mim me diz respeito, está factualmente errada, já que não participava habitualmente nos conselhos alargados de crédito, uma vez que as minhas áreas de responsabilidade eram Seguros, Informática e Marketing, que nada tinham a ver com a concessão de crédito”, alegou.

Neste momento, Beatriz Freitas é a CEO do banco promocional, continuando no cargo após a fusão das instituições que levaram à criação do BPF Os nomes ainda vão ter de passar pelo crivo do Banco do Portugal e da Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública (Cresap) se o Executivo assim o entender. A instituição irá ter entre sete e 11 membros no conselho de administração.

(Notícia atualizada às 14h06 com mais informação)

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