Caixa cumpriu o plano, mas ficou aquém nas comissões aos clientes

Banco estatal tinha metas a atingir até final de 2020, no âmbito do plano de reestruturação. Apesar da pandemia ter impedido a CGD de atingir algumas metas, considera que foi cumprido.

2020 foi “um ano pesadamente marcado pela pandemia”, diz Rui Vilar. Foi também o do “último exercício da atual conselho de administração” do banco estatal. “E o ano de fecho do plano estratégico”, que, na perspetiva do chairman da CGD foi “cumprido”. O grosso das metas definidas por Bruxelas, no âmbito do plano de reestruturação desenhado em 2016, foram alcançadas, mas em algumas o banco ficou aquém. Umas por causa da pandemia, outras por decisão da gestão, como a cobrança de comissões aos clientes bancários.

“Cumprimos a missão” atirou Rui Vilar, que vai em breve abandonar o cargo na CGD. “Nas metas financeiras, ultrapassámos os objetivos ao nível do risco, dos NPL e da solidez”, começou por dizer. Mas salientou também que o banco acabou por falhar no que toca a outros indicadores que foram explicados por Paulo Macedo, o CEO. Que indicadores foram esses? O ROE e o Cost to Income, ou seja, a rentabilidade dos capitais próprios e o rácio entre os custos e os lucros.

Sublinhando que das 54 medidas exigidas por Bruxelas, entre a mais de uma centena de metas, “foram cumpridas 52”, sendo que as duas que ficaram por cumprir — para “preservar valor, não quisemos vender” — foram a venda do banco da CGD em Cabo Verde e no Brasil, Macedo explicou que a CGD ficou aquém no ROE e no Cost to Income, mas na comparação com os pares brilhou.

“Para aferir o sucesso do plano estratégico, temos de comparar se a CGD teve uma performance em linha com os seus pares”, disse Macedo, explicando que no “que toca ao ROE, tivemos uma performance de cerca de 6%, o dobro da média europeia, acima dos pares nacionais, mas abaixo da meta de 9% definida pela DGComp em 2016”. A “CGD tem mais capital do que o exigido”, atirou, lembrando que CGD ficou com 18,1%, “está bem capitalizada”. “Se estivesse a trabalhar com o capital exigido, teríamos um ROE de 10%”, atirou.

“Relativamente ao Cost to Income, este foi afetado negativamente em 2020 pela quebra de proveitos”, explicou. E isso deveu-se, explica, ao facto de a CGD ter “cobrado menos comissões aos seus clientes”.

“A Caixa cobrou menos comissões as seus clientes do que previa o plano, mas conseguiu reduzir mais os seus custos do que o previsto“, notou Macedo. Ainda assim, acabou por ter “uma menor margem financeira” do que o que tinha sido definido por Bruxelas. Aliás, frisou, a “CGD continua a ser o banco com a menor margem a atuar em Portugal”.

A rematar, Macedo salientou que ao nível da redução de balcões (-134) e do número de trabalhadores (.2.285), “cumpriu-se o plano”. Mas o crescimento da massa salarial manteve-se acima dos 1,5%.

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