O que é a Greenvolt, a empresa liderada por Manso Neto que quer ir para a bolsa?

Empresa de energias renováveis a partir de biomassa da Altri conta com Manso Neto para ganhar visibilidade. Entrada em bolsa ajudará, mas também dará músculo para investir no solar e nas eólicas.

Pareceu uma contratação de clube de futebol, mas no mundo dos negócios. Manso Neto, que durante anos esteve à frente da EDP Renováveis, contribuindo para que seja, atualmente, uma das maiores empresas mundiais no setor das energias renováveis, saiu da empresa no âmbito do Caso EDP, mas aceitou, agora, o desafio de liderar a Greenvolt. Mas que empresa é esta?

Manso Neto deixou de exercer o cargo de CEO da EDP Renováveis há vários meses, depois de ter sido constituído arguido por suspeita de quatro crimes de corrupção ativa e um de participação económica em negócio. Esteve suspenso — suspensão essa que caducou entretanto –, mas já não voltou para sentar-se na cadeira de executivo da empresa do Grupo EDP. Foi substituído por Miguel Stilwell.

Apesar de ter saído do cargo, tinha um acordo de não concorrência que lhe garantia uma remuneração de 560 mil euros por ano, durante os próximos três anos, para não exercer funções em empresas concorrentes. “Rasgou-o” para aceitar o desafio de Paulo Fernandes, o “patrão” da Altri (e também da Cofina), impulsionando o negócio de energias renováveis.

Foi contratado para liderar a Bioelétrica da Foz, que entretanto mudou de nome: chama-se, agora, Greenvolt. A Bioelétrica da Foz chegou a ser uma parceria da Altri com a EDP, mas essa chegou ao fim em 2018 — pagou 55 milhões de euros pelos 50% que não detinha da empresa. A Altri passou a controlar a totalidade da empresa que produz energia elétrica a partir de biomassa florestal.

“Atualmente estão em operação cinco centrais – Mortágua, Ródão (Celtejo), Constância (Caima) e Figueira da Foz (duas na Celbi) – com uma potência instalada total de cerca de 96,7 MW, produzindo um total de 720 GWh por ano”, refere a Altri no seu site. E é um negócio que está a crescer. E a contribuir para as contas da Altri.

“As receitas associadas à unidade de produção de energia elétrica através de biomassa florestal, desenvolvida através da subsidiária Greenvolt – Energias Renováveis (anteriormente designada por Bioelétrica da Foz), atingiram, no quarto trimestre de 2020, o montante de 20,9 milhões de euros, (…) um crescimento de 5,2% face ao quarto trimestre de 2019”. No total de 2020, “ascenderam a 86,9 milhões de euros, o que se traduz num crescimento de 35%” face a 2019. O EBITDA chegou aos 32,9 milhões. Cresceu 49%.

O peso da Greenvolt nas contas da Altri já é expressivo, medido pelo EBITDA. Os 32,9 milhões de euros de 2020 representaram 25% dos 130,37 milhões de euros alcançados pela empresa que a controla, num ano em que os resultados líquidos caíram 65% para os 34,9 milhões de euros.

Mais visibilidade, cá e lá fora

O negócio de energias renováveis da Altri está a crescer, mas tem pouca visibilidade. O rebranding ajuda, mas o principal é mesmo o novo CEO da empresa, Manso Neto. O gestor, com ampla “experiência de liderança e gestão global de negócios complexos, relacionados, em especial, com o setor energético”, foi escolhido para CEO da Greenvolt para potenciar a empresa nas energias renováveis.

Um passo importante para fazer crescer a Greenvolt será a potencial entrada da empresa em bolsa, ganhando “independência” da Altri, também ela cotada na Euronext Lisboa. A Altri “encontra-se a estudar a admissão à cotação na Euronext Lisbon, da sua subsidiária integralmente detida, Greenvolt, empresa que materializa a presença do Grupo Altri no setor das energias renováveis”, disse a empresa em comunicado enviado à CMVM.

Ganhará, com a entrada no mercado, mais nome, mas também mais músculo financeiro. A Greenvolt “tem um ambicioso projeto de expansão nacional e internacional. Sob a liderança de João Manso Neto e com o profundo know how e expertise que aportará ao negócio, a Greenvolt pretende consolidar a sua posição de liderança no mercado nacional (…) no mercado das energias renováveis”, disse a Altri. E pretende afirmar-se também “como um player de referência a nível internacional”.

Aposta na energia solar

A Greenvolt obtém energia renovável a partir de biomassa, florestal, mas não quer limitar-se a esse segmento. A biomassa “continuará a ser o core business da sociedade, com inquestionáveis competências”, mas a empresa pretende desenvolver o negócio das energias renováveis também, “através de modelos inovadores, de energia solar e eólica”, diz a Altri.

De acordo com o Expresso (acesso livre), a Greenvolt é já dona de um conjunto de sociedades recentemente constituídas para apostarem em vários projetos de energia renovável. Um desses é a Sociedade de Energia Solar do Alto Tejo, do qual tem 80% do capital, e cujos gestores estão a trabalhar num projeto solar de 1.200 MW em Portalegre. E controla ainda a Paraimo Green, Piara Solar, Maior Green, Amieira Green e Ribatejo Green, que conta com a participação do dono da Gesto Energia, empresa que desenvolve projetos fotovoltaicos.

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