Sotheby’s faz “última chamada” aos investidores estrangeiros. Limitar vistos gold foi “péssima decisão”

2021 é o último ano para investidores internacionais comprarem uma habitação através dos vistos gold no litoral do país. Imobiliária Sotheby's lança campanha para se aproveitar enquanto é tempo.

A partir do próximo ano, comprar uma casa através do regime de vistos gold deixa de ser possível em cidades como Lisboa e Porto. O Governo aplicou um travão neste programa de captação de investimento internacional, mas deu algum tempo para o mercado se preparar. A imobiliária Sotheby’s International Realty lamenta este travão dado pelo Governo e decidiu aproveitar enquanto pode, lançando uma campanha junto de investidores internacionais para se aproveitar este regime enquanto é tempo. Depois disso, virão as consequências desta “terrível decisão” do Executivo.

Desde o final de 2012 que investidores internacionais (de fora de países da União Europeia) podem adquirir uma habitação em Portugal através do regime de vistos gold. Mas, a partir de 2022, isso deixará de ser possível nas cidades localizadas no litoral, como Lisboa e Porto, que captavam a grande fatia destes investimentos imobiliários. Ainda assim, continuará a ser possível investir em imobiliário comercial, como escritórios e lojas. O problema é que este tipo de imóveis não desperta muito interesse nos investidores internacionais.

O CEO da Sotheby’s em Portugal, Miguel Poisson, ressalva dois aspetos nesta decisão do Governo. “Por um lado, a excelente decisão de adiar esta alteração e, por outro, a limitação que continua no horizonte de quer impor administrativamente limitações aos golden visa, diz o responsável ao ECO, frisando que foi uma “péssima decisão do Governo” e que terá consequências para Portugal enquanto país para investir e para a economia.

Miguel Poisson fala mesmo em “limitar a liberdade de escolha dos investidores” e antecipa que a tentativa do Governo de “empurrar artificialmente os investidores para o interior do país — onde estes não querem investir — vai fazer com que não se invista, de todo, em Portugal”. “Às tantas, estamos a empurrá-los para outros países e é uma pena para Portugal”.

Os vistos gold foram criados em outubro de 2012 e, desde então, já captaram mais de 5,2 mil milhões de euros só na aquisição de bens imóveis. Foram, no total, quase 9.000 vistos gold emitidos nestes oito anos só para imobiliário, mostram os dados do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).

Estas pessoas que compram em Portugal tornam-se embaixadores de Portugal no seu próprio país. E são muito mais ouvidas do que uma simples campanha de turismo. Vai-se perder esta qualidade de divulgação.

Miguel Poisson

CEO da Sotheby's International Realty

Com base nestes números, o CEO da Sotheby’s refere que este travão ao programa vai “reduzir o número de investidores em Portugal e a divulgação de Portugal no exterior”. Isto porque, explica, “as pessoas que compram imóveis em Portugal tornam-se embaixadores de Portugal nos seus próprios países” e acabam por ser “mais ouvidas do que uma simples campanha de turismo”. E isso, acrescenta, vai-se perder.

O Governo defende que este travão é necessário pelo facto de os golden visa contribuírem para a especulação imobiliária, como referiu em janeiro do ano passado o ministro das Infraestruturas e da Habitação, quando disse que os preços praticados no mercado imobiliário em Lisboa e no Porto são “um crime lesa-pátria” e que, por isso, era necessário acabar com este regime nas grandes cidades.

Miguel Poisson não acredita nesta teoria. “O que está aqui em causa são questões políticas, não questões económicas”, diz, referindo que se tratou de um “jogo de equilíbrio no qual o Governo teve de entrar para agradar a gregos e troianos”. “Não consigo compreender. Se há outro tipo de questões mais duvidosas relativamente ao programa, estas têm de ser postas em cima da mesa. Mas estar a pôr em causa um instrumento que atrai investimento e gera riqueza para o país é uma coisa totalmente inaceitável”, diz, ao ECO.

“Última Chamada”: Sotheby’s lança campanha para aproveitar 2021

Para aproveitar 2021, naquele que é o último ano em que o regime de vistos gold se manterá como está, a Sotheby’s decidiu lançar uma campanha junto de investidores internacionais para “chamar a atenção” para esta “última janela de oportunidade”.

“É uma questão de liberdade de escolha e de investimento”, diz ao ECO Miguel Poisson, antecipando a perda de muitos investidores. “Temos alguns clientes que já nos disseram que ou investem em Lisboa, Porto ou Algarve ou não querem investir em Portugal. Sabemos que os vamos perder porque não têm interesse em investir no interior“, diz.

Assim, em parceria com o Santander e a Abreu Advogados, a Sotheby’s vai arrancar em abril com uma série de webinars com potenciais investidores, onde será apresentado o regime de golden visa. A ideia é explicar “Portugal enquanto destino para investir e residir” e “as vantagens face a outros países”, como a estabilidade económica, segurança, qualidade das infraestruturas, dos acessos, etc.

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