Ministério Público investiga divulgação de conversa privada entre Pedro Nuno Santos e Casimiro

Uma conversa entre os dois sobre a TAP foi gravada sem autorização de Pedro Nuno Santos e divulgada. A queixa apresentada pelo governante deu origem a um inquérito que se encontra em investigação.

A gravação não autorizada e divulgação de uma conversa entre o ministro das Infraestruturas e Habitação e o empresário Alfredo Casimiro já está a ser investigada pelo Ministério Público. A confirmação foi feita esta quinta-feira pela Procuradoria Geral da República, depois de Pedro Nuno Santos ter apresentado, há duas semanas, uma queixa-crime contra o acionista privado da Groundforce.

“A queixa apresentada foi remetida ao DIAP [Departamento de Investigação e Ação Penal] de Lisboa, onde deu origem a um inquérito que se encontra em investigação“, revela fonte oficial da PGR ao ECO. Em causa está a gravação não autorização e divulgação de uma conversa privada entre os dois sobre a TAP. É uma gravação de cerca de dois minutos e meio de parte de uma das reuniões sobre a situação da empresa de handling.

A conversa faz parte de uma reunião mais alargada e é cortada uma parte sobre a TAP. Nesta, ouve-se Casimiro a questionar o ministro sobre a injeção de dinheiro público na TAP e se o acionista privado, Humberto Pedrosa, está também a colocar capital na mesma proporção. Pedro Nuno Santos responde que não e explica que o Governo está a negociar ainda com Bruxelas, mas que no quadro da reestruturação da TAP deverá ser exigido que parte ou a totalidade do empréstimo de 1,2 mil milhões seja convertido em capital.

Essa possibilidade sempre esteve em cima da mesa caso a TAP não tivesse capacidade de reembolsar o empréstimo. O acionista privado poderá vir a fazer ele próprio um aumento de capital ou verá a sua posição diluída. O ministro admite que a participação do Humberto Pedrosa é que vai “evaporar” e transformar em “pó”, na conversa em questão.

Não é possível perceber pela gravação porque é que o acionista privado da TAP estava a ser tema de conversa entre ambos, mas poderá ter sido um paralelismo com a situação de dificuldades financeiras da Groundforce (que é detida em 50,1% pela Pasogal de Casimiro e em 49,9% pela TAP). A conversa aconteceu no início das negociações entre Pedro Nuno Santos e o empresário para tentarem encontrar uma solução de emergência para os salários de 2.400 trabalhadores, que estavam em atraso e já foram entretanto regularizados.

Logo após a troca sobre a TAP, Casimiro toma a palavra, dizendo lamentar que não tenham chegado a qualquer conclusão, que não tenham encontrado uma solução para apresentar aos trabalhadores e ainda pelo impacto negativo que a situação tem para o próprio, para o ministro e para o Estado. O empresário garante ainda que tentou todas as possibilidades para chegar a acordo. A gravação termina a meio de uma frase em que o acionista diz há um problema “sério” e não chega a ouvir-se a resposta do ministro.

A queixa-crime foi apresentada num momento de impasse nas negociações: nem um adiantamento com a participação de Casimiro como garantia nem o aumento de capital avançaram. Na semana passada, a solução que acabou por desbloquear a situação foi a venda de todos os equipamentos da Groundforce à TAP por 7 milhões de euros. Mas não melhorou as relações entre os dois. Ainda esta quinta-feira Pedro Nuno Santos acusou Alfredo Casimiro de não ser “sério” e de ter tentado “enganar” o Estado e o Governo.

(Notícia atualizada às 13h45)

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