Zona Euro “podia fazer mais pelos seus cidadãos”, diz Constâncio. Compara mal com os EUA

Vítor Constâncio confessa que está desiludido com a resposta orçamental da Zona Euro à crise pandémica, em comparação com a dos EUA. E considera que se "podia fazer mais pelos cidadãos".

Vítor Constâncio prevê que “infelizmente” a Europa terá uma política orçamental “muitíssimo insuficiente” para combater a crise pandémica. Apesar da emissão de dívida conjunta da União Europeia ter sido um passo “histórico”, impensável há uns anos, o ex-vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE) olha para os EUA como um bom exemplo e a Zona Euro como consumida pelos seus “fantasmas e medos”.

Numa série de tweets publicados esta terça-feira em que tenta demonstrar que não haverá inflação estrutural elevada nos próximos anos nas economias avançadas, Constâncio aproveitou para deixar críticas à política orçamental da União Europeia. “Infelizmente, a Europa está a preparar-se para uma política orçamental muitíssimo insuficiente“, escreve, referindo-se ao fundo de recuperação europeu (Próxima Geração UE) que está a ser “atrasado” pelo Tribunal Constitucional alemão e cujos 350 mil milhões de euros de empréstimos serão pouco usados pelos países uma vez que “as regras do seu uso irão implicar aumentos no défice [orçamental]”.

Esta situação contrasta com o que se vive na política norte-americana com o pacote de estímulos de 1,9 biliões de dólares preparado por Joe Biden a começar a chegar aos bolsos dos cidadãos, somando-se aos outros pacotes aprovados em 2020. Na União Europeia, há vários instrumentos europeus no terreno, como é o caso do SURE (mecanismo de apoio ao emprego), e há os apoios nacionais, nomeadamente os estabilizadores automáticos (como o subsídio de desemprego), que são maiores na Europa do que nos EUA. Contudo, a “bazuca” acordada há um ano para acelerar a retoma europeia ainda está por implementar, sendo expectável que possa começar a chegar aos países no final do primeiro semestre.

Os EUA estão a tentar testar políticas para ultrapassar totalmente a crise enquanto a Europa está a hesitar sob o fardo dos seus fantasmas e medos“, considera Constâncio, concluindo que a Zona Euro “podia fazer mais pelos seus cidadãos” uma vez que tem uma “economia relativamente fechada” com uma “moeda forte” e um “excedente externo considerável”. Ainda esta semana o eurodeputado do PS, Pedro Marques, sugeriu que a UE copie os EUA — que estão a distribuir cheques de 1.400 dólares aos norte-americanos até um certo nível de rendimento — e pague cheques diretos de mil euros a algumas franjas da população.

Constâncio diz que a Zona Euro tem de manter a economia sob “elevada pressão” com os estímulos orçamentais e monetários para ultrapassar a “estagnação secular”. Esta pressão poderá levar “com sorte” a um “aumento moderado da inflação nos próximos anos”. Contudo, isso será no médio prazo, já que no curto prazo a inflação será apenas afetada temporariamente pela subida da cotação do petróleo e efeitos one-off relacionados com a pandemia, os quais vão desaparecer gradualmente. “Notem os 25 anos de baixa inflação a pairar à volta de 2%. Que choque poderia levar a um processo de inflação alta sustentada?“, questiona.

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