EMA não confirma relação entre vacina da AstraZeneca e coágulos. Portugal mantém vacina

  • ECO e Lusa
  • 6 Abril 2021

Responsável da Agência Europeia do Medicamento diz que há ligação entre os coágulos e a vacina anglo-sueca, mas regulador ainda não confirma. Decisão deve ser anunciada nos próximos dois dias. 

Um responsável da Agência Europeia de Medicamentos (EMA, sigla em inglês) disse, esta terça-feira, que há relação entre a vacina contra a Covid-19 da AstraZeneca e coágulos sanguíneos, mas que ainda não é clara a causa. Entretanto, o regulador europeu veio dizer que ainda está a avaliar a possível ligação e que a decisão deve ser anunciada nos próximos dois dias.

A afirmação é de Marco Cavaleri, chefe de vacinas do regulador europeu. Em entrevista ao jornal italiano Il Messagero, disse que, na sua opinião, “podemos dizê-lo agora, é claro que existe uma ligação com a vacina”, embora não seja claro o que causa a reação. Adicionalmente, o responsável disse que nas próximas horas a EMA iria fazer uma declaração sobre o assunto referindo que “existe uma ligação, mas ainda temos que perceber como acontece”.

Horas depois, o regulador europeu esclareceu que ainda está a avaliar a possível ligação entre a vacina da AstraZeneca contra a Covid-19 e a formação de tromboembolismos. O comité de segurança da agência, com sede em Amesterdão, “ainda não chegou a uma conclusão e a revisão está atualmente em curso“, adiantou a EMA numa declaração à AFP.

Paralelamente, a agência europeia informou que uma decisão sobre esta matéria deve apenas ser anunciada nos próximos dois dias.

Ao mesmo tempo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reafirmou, esta terça-feira, que os benefícios da vacina contra a covid-19 da AstraZeneca superam os riscos. “Há um conjunto de comités e de agências reguladoras a analisar os dados e novos dados chegam todos os dias. Mas até ao momento, não há qualquer ligação entre a vacina e os eventos de tromboses. Claro que está sob avaliação”, disse Rogério Pinto de Sá Gaspar, diretor de regulação, acrescentando que “a reunião da EMA começou hoje às 11h e continuará nos próximos dias se necessário”.

Até ao momento, a EMA tinha indicado que não havia evidências de uma relação causal entre a vacina e a coagulação e que não havia motivos para suspender a vacina. “Os benefícios da vacina AstraZeneca na prevenção do Covid-19, com seu risco associado de hospitalização e morte, superam os riscos de efeitos colaterais”, lê-se na última atualização sobre o assunto.

Ainda assim, o regulador anunciou que iria continuar a avaliar a situação em conjunto com as autoridades de saúde de cada país e que a recomendação atualizada estaria disponível esta semana – recomendação a que Marco Cavaleri faz referência.

Apesar das últimas afirmações da EMA, alguns países têm limitado a idade das pessoas que tomam esta vacina. Por exemplo, a Alemanha e os Países Baixos suspenderam as injeções deste fármaco em pessoas com menos de 60 anos.

Portugal aguarda posição oficial da EMA

Em Portugal, a task force que coordena o plano de vacinação contra a Covid-19 garantiu que vai manter a vacina da AstraZeneca no processo até surgir uma posição oficial da EMA, da Direção-Geral da Saúde (DGS) e do Infarmed. “Vamos esperar pela posição oficial da EMA e da DGS. Por agora mantém-se a vacina da AstraZeneca no programa de vacinação”, afirmou à Lusa, fonte do organismo.

Entretanto, o Infarmed rejeitou tomar qualquer posição unilateral antes de o regulador europeu tomar uma posição oficial. “A posição do Infarmed é de alinhamento com o regulador europeu. Está a decorrer a reunião [do Comité de Avaliação dos Riscos em Farmacovigilância] da EMA e será divulgada uma conclusão assim que terminar. Estamos a aguardar”, afirmou fonte oficial da Autoridade Nacional do Medicamento à agência Lusa.

Também esta terça-feira o primeiro-ministro, António Costa, reiterou a necessidade de esperar por uma posição oficial da EMA, mas já admitiu que se o regulador europeu confirmar esta situação, então haverá uma “maior morosidade” na aplicação do plano de vacinação contra a Covid-19 no espaço comunitário. “No quadro da União Europeia, consideramos que é fundamental que haja uma posição uniforme relativamente às recomendações e indicações fixadas pela EMA no que respeita a cada uma das vacinas. Se houver um berbicacho, então isso terá inevitáveis consequências no processo de vacinação“, disse o primeiro-ministro.

(Notícia atualizada às 20h07 com a posição das autoridades portuguesas)

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