7 respostas sobre a nova e polémica Superliga Europeia

Quem ganha e quem perde? Quem são os clubes envolvidos? Há clubes portugueses? Quem está contra? Sete perguntas e respostas sobre a nova e polémica Superliga Europeia.

Está lançada a guerra no futebol europeu. Os grandes clubes uniram-se em torno de uma ideia que tem anos e oficializaram a Superliga Europeia, um clube “exclusivo” a ricos. É uma ameaça à Liga dos Campeões da UEFA, cujo modelo é mais “inclusivo” junto das ligas menos poderosas financeiramente, como a portuguesa. Quem ganha e quem perde com a Superliga Europeia? Quem são os clubes envolvidos? Há clubes portugueses na competição? Quem está contra? Sete perguntas e respostas sobre a nova e polémica Superliga Europeia.

Quem são os clubes fundadores?

Para já são 12 os clubes fundadores da Superliga Europeia: Arsenal, Chelsea, Liverpool, Manchester City, Manchester United, Tottenham, Real Madrid, Barcelona, Atlético Madrid, AC Milan, Inter Milão e Juventus. Mas a organização prevê um total de 15 clubes fundadores e cinco clubes “convidados” por ano em função do desempenho desportivo.

Estes 15 clubes fundadores integrarão sempre a Superliga Europeia, mesmo que os resultados dentro de campo não sejam os melhores. Ou seja, não há hipótese de os clubes fundadores serem excluídos da competição por fraco desempenho desportivo.

Quem manda na Superliga Europeia?

A Superliga Europeia será governada por estes 15 clubes fundadores. Florentino Perez, presidente do Real Madrid, é o presidente desta competição, tendo Andrea Agneli (Juventus) e Joel Glazer (Manchester United) como vice-presidentes.

“Vamos ajudar o futebol em todos os níveis e levá-lo ao lugar certo no mundo. O futebol é o único desporto global em todo o mundo com mais de quatro mil milhões de fãs e é nossa responsabilidade, como grandes clubes, responder aos seus desejos”, disse o presidente madrileno.

Qual será o formato da Superliga Europeia?

A Superliga Europeia terá 20 clubes. Haverá dois grupos com 10 clubes, com jogos em casa e fora. Após a fase de grupos, oito clubes serão classificados para a fase de eliminatórias, com partidas em casa e fora a começar nos quartos-de-final até à final de um único jogo. Os jogos terão lugar durante a semana, sendo que os clubes participantes terão o fim de semana para as competições domésticas.

Desta forma, os organizadores acreditam que os gigantes do futebol europeu terão mais oportunidades de se defrontarem entre si, gerando maior interesse em torno da competição e mais receitas.

Uma consequência direta desta Superliga Europeia: o fim da Champions League, organizada pela UEFA, pelo menos tal como a conhecemos atualmente, e que tem sido uma das principais fontes de rendimento dos “três grandes” portugueses.

Quanto é que os clubes recebem?

Os clubes fundadores receberão um pagamento único de 3,5 mil milhões de euros “dedicados exclusivamente à realização de planos de investimento em infraestrutura e compensação do impacto da pandemia Covid-19”, de acordo com o comunicado divulgado esta segunda-feira. Isto perfaz um montante de cerca de 230 milhões de euros de prémio de “boas-vindas”.

De acordo com o Financial Times, cada um dos 15 clubes fundadores terá ainda o direito a uma verba fixa de 264 milhões de euros por ano, dinheiro resultante das transmissões televisivas dos jogos e acordos comerciais.

A Superliga fala ainda em “pagamentos de solidariedade” que irão crescer em linha com as receitas da competição e que se esperam que venham a superar os 10 mil milhões de euros durante o período inicial. “Estes pagamentos de solidariedade irão seguir um modelo de total transparência e reporte público regular”, assegura a organização.

No centro desta operação está o JPMorgan Chase. O banco deverá financiar o arranque da competição com seis mil milhões de dólares.

Qual a diferença para a Champions League?

Atualmente, a principal competição de clubes do mundo é a Liga dos Campeões da Europa, organizada pela UEFA, que se prepara para introduzir mudanças importantes no formato da competição para responder a este plano de uma Superliga com os principais clubes europeus.

Participam na Champions League 32 clubes, que conseguem o acesso à competição por via do desempenho nas suas ligas domésticas. A pontuação no ranking da UEFA (por via das vitórias nas provas europeias) confere a determinada liga qualificar mais ou menos clubes para a Liga dos Campeões e Liga Europa. Por exemplo, enquanto as principais ligas europeias qualificam entre três e quatro equipas por ano, a Liga portuguesa qualifica geralmente uma ou duas equipas, uma diretamente e outra para a fase de qualificação.

Os 32 clubes jogam uma fase de grupos com quatro equipas. Os dois primeiros de cada grupo apuram-se para os oitavos de final. A partir daqui as eliminatórias jogam-se a duas mãos até à final.

A grande diferença face à Superliga Europeia: o facto de os 15 clubes fundadores terem acesso assegurado à prova, sendo esta uma das principais críticas à nova competição. Vai-se embora a meritocracia, criando-se uma competição em que os clubes ricos vão ficar mais ricos e os clubes pobres vão ficar mais pobres, com impactos nas ligas domésticas.

A partir de 2024, tendo em conta as mudanças que a UEFA se prepara para aprovar esta segunda-feira, a Champions League deverá ter um novo sistema (modelo suíço), com 36 equipas (mais quatro equipas que atualmente) e contará com maior presença das chamadas ligas Big-5.

Há clubes portugueses na Superliga?

Não há clubes portugueses entre os fundadores da Superliga. Pinto da Costa, presidente do FC Porto, admitiu que foi contactado por alguns clubes, mas não deu “grande atenção” ao projeto por duas razões: “Primeiro, a União Europeia não permite que haja um circuito fechado de provas como há na NBA. Segundo lugar, estando a nossa federação contra isso e fazendo parte da UEFA, não podemos participar numa coisa que é contra as regras da União Europeia e da UEFA”. E adiantou: “Se isso for para a frente, e eu tenho dúvidas, a UEFA não acabará e continuará a ter provas. E as provas que a UEFA organizar serão as oficiais. Não estamos preocupados em estar ou não (na Superliga), estamos na Champions e esperamos continuar durante muitos anos”.

Quem está contra?

A FIFA e a UEFA desde o início que se posicionaram contra a criação da Superliga Europeia e deixaram avisos sérios sobre as consequências que poderão sofrer os clubes e jogadores que fizerem parte de tal competição. “Não poderão jogar nenhuma outra competição a nível nacional, europeu ou mundial, e os seus jogadores poderiam ver-se privados da oportunidade de representar as suas seleções nacionais”.

Várias federações e ligas europeias já se manifestaram contra a nova competição, incluindo a LaLiga espanhola, a Bundesliga alemã e a Ligue 1 francesa.

O anúncio da criação da Superliga Europeia também já mereceu a reprovação dos líderes políticos Boris Johnson e Emmanuel Macron.

“Os planos para uma Superliga Europeia serão muito prejudiciais para o futebol e apoiamos as autoridades do futebol nas suas ações. Os clubes envolvidos devem responder perante os seus adeptos e toda a comunidade futebolística antes de tomar qualquer decisão”, declarou o primeiro-ministro britânico no Twitter.

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