Pessoas com cancro, VIH e transplantados passam a ser prioritários na vacinação contra a Covid-19

Os critérios de vacinação contra a Covid-19 serão alterados, segundo anunciou esta quarta-feira a diretora-geral de saúde Graça Freitas. A idade continuará a ser o principal critério.

Os critérios de vacinação contra a Covid-19 vão sofrer alterações. A idade continua no topo, mas as doenças que dão ou não prioridade mudam. A diabetes sai da lista, enquanto entram doenças oncológicas ativas, pessoas em situação de transplantação, imunossupressão e algumas doenças neurológicas e mentais.

“A vacinação terá dois ramos. Um por faixa etária, intensivo e fácil de vacinar, e outro que não deixa para trás pessoas com doenças graves, independentemente da idade”, disse Graça Freitas, no balanço sobre o plano de vacinação contra a Covid-19, numa conferência de imprensa conjunta com a ministra da Saúde Marta Temido e o coordenador da task force de vacinação, Henrique Gouveia e Melo.

No âmbito das doenças graves, será dada prioridade a doentes oncológicos ativos (que estejam a fazer quimioterapia ou radioterapia), pessoas em situação de transplantação, pessoas com imunodepressão (por exemplo, com HIV mas não só), doenças neurológicas e epilepsia refratária, bem como doenças mentais como esquizofrenia.

Em sentido contrário, pessoas com obesidade (acima de 35% do índice de marca corporal) ou diabetes tipo II serão vacinados de acordo com a faixa etária. O mesmo acontece com pessoas que já tiveram Covid-19 e que recuperaram há mais de seis meses. Estes começaram agora a ser vacinados, também numa lógica de idade (dando prioridade aos mais velhos do que 60 anos), mas receberão apenas uma dose já que têm imunidade natural.

No que diz respeito à idade, Marta Temido prometeu que todas as pessoas com mais de 60 anos terão a vacina até ao final de maio. A aceleração do processo deve-se, segundo a ministra, à “maior disponibilidade de vacinas” que se segue a um período de “dificuldades” causadas por “problemas de escassez”. “O maior desafio agora é o da fluidez e da celeridade do processo de vacinação”, afirmou.

O país recebeu cerca de 2,9 milhões de doses (às quais acrescem ainda 31,5 mil doses da Jansen) e administrou 2,7 milhões. Assim, 20% da população tomou, pelo menos, uma dose e 7% recebeu as duas inoculações. Entre a população com mais de 80 anos, a percentagem é superior: 91% já tomou uma dose e 58% as duas doses. O próximo foco serão as pessoas na faixa etária entre os 70 e os 79 anos.

“O plano está a adaptar-se em função da realidade que está a acontecer no ambiente externo”, sublinhou Gouveia e Melo. O coordenador da task force explicou que com a quantidade de doses que está previsto chegarem em breve, o objetivo é vacinar 100 mil pessoas por dia ao longo dos próximos quatro meses. “Não será uma tarefa fácil”, admitiu, rejeitando ainda assim que haja falta de meios humanos para vacinar.

(Notícia atualizada às 12h10)

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