Portugal é o país da Zona Euro com maior risco de retoma lenta

A crise é outra, mas o padrão é o mesmo: a divergência entre o norte e o sul da Europa vai marcar a recuperação da economia pós-pandemia. Portugal é o país com maior risco de ter uma retoma lenta.

A equipa de research do banco holandês ING prevê que a dicotomia tradicional da Zona Euro entre o norte e o sul da Europa vai manter-se após a crise pandémica. Já se sabe que a Covid-19 teve um maior impacto nos países do Sul e agora perspetiva-se que a retoma seja mais lenta nestas zonas. Portugal não é exceção, pelo contrário: é o país mais vulnerável a ter uma retoma mais lenta, de acordo com o indicador de vulnerabilidade do ING.

A análise é clara ao dizer que a probabilidade de haver uma retoma rápida é muito mais favorável aos países que estão no centro e norte da Europa, ao passo que os da periferia correm o risco de uma “queda prolongada”. E mesmo as subvenções do Plano de Recuperação e Resiliência, que são maiores para os países mais afetados, não vão resolver o prolongamento dessa divergência, antecipam os analistas.

O índice de vulnerabilidade da ING, que mede o risco de uma retoma económica fraca, confirma a existência da divisão entre o norte e o sul, tal como na crise financeira e na crise das dívidas soberanas, e mostra que Portugal é o país da Zona Euro com um risco maior de ter uma recuperação lenta. Ao seu lado está Itália, Grécia e Espanha, exatamente os países mais afetados pela pandemia em 2020 em termos económicos.

Fonte: banco holandês ING.

Do outro lado da tabela está o Luxemburgo, a Irlanda, a Holanda, a Estónia e a Bélgica, sendo que estes países deverão ter uma retoma mais rápida do que a média da Zona Euro. No meio estão países como a Alemanha e França que figuram ligeiramente melhor do que a média europeia.

Os países do sul até podem ter uma recuperação forte no curto prazo, mas a preocupação dos analistas está na fase de recuperação pós-pandemia em que uma retoma lenta traga ao de cima “substanciais efeitos secundários negativos” provocados pelo intenso período da Covid-19.

O banco holandês exemplifica com o potencial de aumento das falências nestes países, incluindo Portugal, por causa do peso de certos setores nestas economias, como é o caso do turismo. Além disso, a percentagem de PME na economia também é mais elevada, em média, e a situação financeira pré-crise das empresas também era pior, em média. Tudo junto, o risco de problemas no setor privado é muito maior.

O principal mitigador deste risco é o estímulo orçamental, nomeadamente os orçamentos nacionais e as subvenções europeias. Até ao momento, segundo os analistas, as previsões dos países da Zona Euro têm sido “modestas” para 2021 e 2022, em comparação com 2020, perspetivando um redução do défice. “Isto põe a Zona Euro em risco de ficar para trás de países como os EUA que puseram um estímulo amplo no terreno para a fase de retoma”, assinalam os analistas.

Países mais vulneráveis mantêm estímulos durante mais tempo

Fonte: banco holandês ING.

A questão é que, se a média já tem este risco face aos Estados Unidos, esta esconde diferentes situações entre países europeus. E aqui há uma tendência que poderá ajudar a conter a divergência: o estímulo parece que irá ser retirado mais rapidamente em países com melhor desempenho enquanto as economias mais afetadas vão deixar os estímulos atuar durante mais tempo. Também o Plano de Recuperação europeu irá dar um maior impulso os países do Sul, o que poderá contribuir para uma maior divergência, mas sem resolver o assunto.

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