Relatório secreto prevê que Superliga limite gastos com salários de jogadores

A mais recente prova europeia tenciona restringir os custos com despesas desportivas em cerca de 55%, isto engloba essencialmente salários e transferências de jogadores.

Os clubes que participarem na Superliga Europeia vão ter de limitar os custos com despesas desportivas, incluindo os salários de jogadores de futebol. É, pelo menos, o que prevê o relatório secreto sobre a nova competição.

De acordo com o Financial Times (acesso pago), os emblemas que aceitarem fazer parte da mais recente prova europeia só poderão utilizar cerca de 55% das receitas para despesas desportivas, isto engloba essencialmente os salários dos principais intervenientes no jogo, os jogadores, mas também as transferências dessas mesmas estrelas.

Outra das cláusulas que consta neste relatório é a questão da “compensação fiscal”, em que o imposto sobre os salários dos atletas será calculado a uma taxa de 45%. Uma medida que permitirá aos clubes espanhóis estarem em pé de igualdade com os restantes participantes, sendo de referir que os jogadores da La Liga pagam dos impostos mais altos da Europa.

Além disso, os clubes terão de apresentar EBITDA e resultados líquidos positivos para continuarem a competir na prova, sendo a limitação dos gastos com salários e os milhões que poderão obter com direitos televisivos e de patrocinadores importantes “armas” para conseguirem cumprir com esta regra.

4 mil milhões de euros por época

Os clubes fundadores da Superliga estão a avançar com um projeto que, de acordo com previsões dos próprios, poderá arrecadar uns astronómicos 4 mil milhões de euros por época em direitos televisivos e de patrocinadores. Um valor muito acima do que é atualmente conseguido na competição de eleição da UEFA, a Liga dos Campeões.

O Financial Times refere no seu artigo que os planos dos organizadores da Superliga passam por partilharem 32,5% das receitas comerciais com os 15 emblemas fundadores e outros 32,5% serem distribuídos anualmente entre todos os clubes presentes na prova. A acrescentar a estas percentagens, 20% das receitas seriam atribuídas de acordo com o desempenho das equipas na competição e, por fim, os restantes 15% seriam entregues consoante as audiências.

Quanto à distribuição de prémios aos vencedores da competição, a organização da Superliga quer assegurar que quem levantar o “caneco” na final receberá apenas mais 1,5 vezes que o clube que fique em último lugar, na tentativa de evitar criar um fosso financeiro entre as equipas participantes.

Uma medida completamente oposta ao que sucede na Champions League, onde existe uma discrepância de prémios entre quem vence a prova e quem não passa da fase de grupos. Por exemplo, uma equipa que conquiste a Liga dos Campeões poderá receber nos seus cofres mais de 100 milhões de euros (incluindo os valores do “market pool”), enquanto um emblema que não chegue a ultrapassar a fase de grupos arrecada menos de 40 milhões de euros.

Mais competitiva que a Champions

De acordo com as notícias que têm sido partilhadas recentemente nos jornais desportivos, a Superliga Europeia irá contar inicialmente com 12 clubes fundadores: Real Madrid, Barcelona, Atlético Madrid, AC Milan, Inter Milão e Juventus, sendo seis britânicos: Arsena, Liverpool, Manchester City, Manchester United, Tottenham e Chelsea, que entretanto terá decidido sair. Porém, a organização prevê atingir um total de 15 clubes fundadores e contar ainda com cinco emblemas convidados a cada edição da prova, consoante o desempenho desportivo das mesmas.

No total, a competição contará com a presença de 20 clubes. Haverá dois grupos com 10 equipas, que terão de se enfrentar duas vezes — um jogo fora e outro em casa -— como se fosse uma espécie de mini-campeonato.

Após a fase de grupos, oito clubes serão classificados para a fase de eliminatórias, com partidas em casa e fora a começar nos quartos-de-final até à final de um único jogo. As partidas decorrerão durante a semana, tal como acontece na Liga dos Campeões.

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