Do cheque de 1,2 mil milhões em apoio público, a TAP já só tinha 518,8 milhões no fim do ano

Companhia aérea precisa de ter aprovação da Comissão Europeia ao plano de reestruturação para desbloquear novas tranches de apoio público. No final de 2020, ainda havia 518,8 milhões em caixa.

A TAP tinha mais de 500 milhões de euros em caixa no final do ano passado. Este dinheiro foi conseguido graças ao cheque de 1,2 mil milhões de euros em apoio público concedido no ano passado, mas que tem de chegar até que a Comissão Europeia aprove o plano de reestruturação da companhia aérea.

“A TAP atuou com agilidade e rapidez aos primeiros sinais de impacto da pandemia, assim como às diversas restrições de mobilidade e de fronteiras que foram sendo impostas ao longo do ano, garantindo sempre a continuidade territorial no país, adequando a sua oferta de capacidade, minimizando assim custos operacionais variáveis e preservando caixa. Estas medidas permitiram à TAP manter liquidez suficiente até à formalização do auxílio de Estado“, garante a companhia aérea no relatório dos resultados de 2020, comunicado esta quinta-feira à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

O financiamento concedido pelo Estado português à TAP, no valor de 1.200 milhões de euros, foi entregue em tranches, sendo que a primeira foi recebida a 17 de julho de 2020. “As tranches subsequentes deste financiamento foram recebidas até 31 de dezembro de 2020, o que levou a companhia a terminar o ano de 2020 com uma forte posição de liquidez de 518,8 milhões de euros“, explica. Considerando o montante disponível em recebíveis de cartões de crédito no Brasil 27,2 milhões de euros, o total de liquidez no final do período era de 546 milhões.

O apoio foi condicionado a um plano de reestruturação, cuja proposta foi enviada a 10 de dezembro e que o Governo só espera que tenha aprovação em maio. Enquanto não acontecer, não há mais dinheiro para TAP, que poderá receber no total, até 2024, até um máximo de 3,7 mil milhões de euros. Para acelerar o processo, o Governo português anunciou há um mês que apresentou à Comissão Europeia uma notificação para concessão de um auxílio intercalar à TAP.

Apesar de os detalhes só ficarem fechados quando tiverem o ‘ok’ de Bruxelas, as linhas gerais são conhecidas e implicam cortes de custos com massa salarial e operação. “Este plano apresenta os pilares e as linhas estratégias que asseguram a sustentabilidade e rentabilidade da TAP em função do novo cenário de procura esperado, desde a adequação do plano de pessoal, rotas e frota, assim como adaptação do produto TAP à realidade atual e pós Covid-19″.

O plano de reestruturação prevê que a TAP — que registou prejuízos de 1.230 milhões de euros em 2020 — atinja um resultado operacional equilibrado até 2023, assegurando uma situação que permita fazer face aos compromissos financeiros nas suas maturidades. “Nesta data, aguarda-se a conclusão das negociações em curso com a Comissão Europeia para aprovação do plano de reestruturação que deverão concluir-se brevemente“, acrescenta a empresa.

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