80% das empresas estão contra teletrabalho obrigatório

A esmagadora maioria do tecido industrial português (80%) está contra o teletrabalho obrigatório, sendo que esta percentagem aumenta para 98% no caso das médias empresas.

O teletrabalho vai manter-se obrigatório até 31 de dezembro de 2021 nas empresas localizadas nas zonas mais afetadas pela pandemia. As empresas esta contra esta decisão. 80% do tecido industrial português não concorda com o teletrabalho obrigatório imposto, acordo com um relatório da Associação Industrial Portuguesa (AIP). Admitem a solução se for negociada e acordada entre a empresa e o trabalhador.

Esta percentagem de rejeição do teletrabalho obrigatório aumenta para 98% no caso das médias empresas, enquanto 15% do tecido industrial rejeita totalmente o trabalho remoto, refere o mesmo inquérito.

Apesar da crise que se instalou no tecido empresarial português devido à pandemia da Covid-19, 87% das empresas inquiridas não despediram colaboradores, enquanto a grande maioria (90%) não tenciona despedir num curto espaço de tempo. Os setores que menos preveem despedir são os transportes e armazenagem (94%), agricultura e pescas (93%) e construção (92%).

Mais de metade das empresas (61%) registaram quebras nos volumes de negócios, contrariamente a 21% das empresas inquiridas que viram o volume de negócios aumentar e 18% conseguiram manter.

As grandes empresas (42%) foram as que registaram maior aumento na faturação, sendo que os maiores aumentos registaram-se na agricultura e pescas (40%), construção (34%) e indústria (23%).

Em relação aos apoios, a esmagadora maioria das empresas (97%) defende a continuação do apoio à retoma progressiva de atividade para as empresas em situação de crise empresarial. Já 78% das empresas inquiridas concorda com a prorrogação das moratórias. A opção mais defendida (33%) é a prorrogação de juros e capital enquanto a pandemia se mantiver ativa nos principais mercados.

Na prorrogação das moratórias, o alojamento e restauração (85%), transportes e armazenagem (82%) e serviços (80%) são os setores que mais concordam com a continuidade deste apoio, assim como as Pequenas e Médias Empresas (78%).

A grande maioria empresas (86%) quer manter o funcionamento normal da empresa após o fim das moratórias, lay-off e derrogações fiscais. Apenas 5,7% prevê alterar o modelo de negócios ou mudar de atividade, enquanto 96% do tecido industrial não prevê efetuar operações de fusão ou de reestruturação.

Outra das conclusões é que 87% das empresas recusam qualquer aumento de impostos para financiar o impacto que a pandemia está a provocar nas contas públicas e 13% refere que a existir esse esforço fiscal, deveria recair nas grandes empresas digitais.

Este inquérito da Associação Industrial Portuguesa foi realizado entre 16 e 22 de abril e contou com a participação de 1.632 empresas.

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