Gestores do Novo Banco têm prémio de 1,86 milhões, mas “cheque” é diferido para 2022

Administração do Novo Banco vai receber um bónus de 1,86 milhões de euros, referente a um ano em que o banco deu prejuízos de 1.329 milhões. Valor só poderá ser pago no final do ano.

Depois do bónus de 1,99 milhões de euros atribuído em 2019 (que foi diferido), em 2020 — ano em que o Novo Banco registou prejuízos de 1.329 milhões de eurosvem um novo bónus. A administração do Novo Banco vai receber 1,86 milhões, valor esse que também só poderá ser pago no próximo ano, depois de concluída a reestruturação.

“Para o ano de 2020, a remuneração variável foi atribuída condicionalmente, sujeita à verificação de condições diversas, de 1,86 milhões de euros aos membros do Conselho de Administração Executivo”, revela o relatório e contas do banco enviado à CMVM. “Este prémio teve como base o desempenho individual e coletivo de cada membro, avaliado pelo Comité de Remunerações”, explica.

Este prémio foi “totalmente diferido e não haverá pagamentos até o final do Período de Reestruturação, na data atualmente definida como 31 de dezembro de 2021″, sublinha. A gestão do Novo Banco está impedida, devido aos compromissos assumidos com Bruxelas, de receber prémios e bónus até 2021, mas pode atribuir estes bónus. É isso que acontece com base nas contas de 2020, mas também já se registou em 2019.

Estes bónus têm gerado polémica, tendo em conta que o banco tem solicitado, anualmente, injeções do Fundo de Resolução para suprir défices nos rácios de capital ao abrigo do mecanismo de capital contingente.

Aquando da atribuição dos quase dois milhões de euros no ano passado, Mário Centeno disse no Parlamento que, enquanto governador do Banco de Portugal, não via com bons olhos a decisão do Novo Banco de fazer este pagamento. “Atendendo a que em 2020 se registou uma muito significativa injeção de capital no Novo Banco, não vemos como adequada esta prática em 2020”, disse Centeno.

Recorde-se que estes dois milhões de euros foram incluídos na chamada de capital feita pelo Novo Banco à entidade liderada por Máximo dos Santos, que rejeitou suportá-los. Assim, em vez de entregar os 1.037 milhões pedidos pelo banco em 2020, o Fundo de Resolução apenas transferiu 1.035 milhões.

Este ano, com base nas contas de 2020, o Novo Banco pediu um “cheque” de 598 milhões de euros. O Fundo de Resolução contestou parte do valor, sendo que o Governo também acredita que a transferência que terá de ser feita em maio será inferior. E essa convicção está expressa no Programa de Estabilidade, onde o Executivo de António Costa assume um valor de 430 milhões de euros.

(Notícia atualizada às 8h07 com mais informação)

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