TAP discorda “expressamente” das acusações de Casimiro contra ex-CEO da Groundforce

A Pasogal de Casimiro anunciou a deliberação, por unanimidade, da destituição por justa causa e com efeitos imediatos de Paulo Leite. No entanto, a TAP decidiu abster-se por discordar das alegações.

A TAP não votou a favor da destituição do ex-CEO da Groundforce, Paulo Leite, e rejeita as acusações feitas pelo acionista maioritário, Alfredo Casimiro. Na assembleia geral de acionistas que decorreu esta segunda-feira, foi aprovado o afastamento do gestor da administração, depois de já ter saído há um mês da comissão executiva.

“A TAP – Transportes Aéreos Portugueses, SGPS, S.A. não adere à proposta de deliberação apresentada pela Pasogal, SGPS, S.A. no âmbito do Ponto Um da ordem de trabalhos, nem aos respetivos fundamentos, discordando expressamente das alegações constantes desta proposta“, refere a declaração de voto, a que o ECO teve acesso.

Há um mês, o conselho de administração da Groundforce anunciou o despedimento de Paulo Leite de CEO, apontando quebras de confiança e violações dos deveres de lealdade. O gestor rejeitou as acusações e manteve-se como administrador não executivo. Esta segunda-feira os acionistas reuniram-se em assembleia geral para dar o passo que faltava para o afastar completamente. Após o encontro, a Pasogal de Casimiro comunicou a deliberação, por unanimidade, da destituição por justa causa e com efeitos imediatos.

No entanto, o ECO sabe que a TAP decidiu abster-se por discordar das alegações no que se refere aos contratos de compra e venda e de aluguer de bens móveis celebrados em 19 de março. Estes foram a solução encontrada para desbloquear dinheiro necessário para salários em atraso, tendo Paulo Leite alinhado com a companhia aérea e contra Casimiro neste assunto.

Mais recentemente o conselho de administração votou a anulação deste acordo, tendo-se o gestor abstido de votar, enquanto a TAP foi impedida com Casimiro a alegar um conflito de interesses.

Na declaração de voto, a TAP diz entender que “os mencionados contratos estão plenamente válidos e em vigor” e que a deliberação do Conselho de Administração da Groundforce (que é usada como base na proposta de deliberação da Pasogal de destituição) encontra-se “viciada por ter sido aprovada apenas por uma parte dos administradores presentes nessa reunião”.

Ainda assim, como Casimiro detém a maioria do capital, a destituição de Paulo Leite foi aprovada. Para o cargo de CEO não haverá para já substituído e Alfredo Casimiro irá manter-se a acumular estas funções com as de chairman. Já para a administração, entra Bernardino Neves, diretor de operações da Urbanos.

Além do despedimento, a conduta de Paulo Leite está a ser objeto de uma “rigorosa auditoria legal” e “o Conselho de Administração da Pasogal não afasta a hipótese de o vir a responsabilizar criminalmente por gestão danosa, designadamente pela utilização e divulgação a terceiros de informação sigilosa da empresa e dos seus acionistas, obtida no âmbito das suas funções de administrador”, segundo anunciou a Pasogal.

Já depois deste encontro, a TAP decidiu avançar com o pedido de insolvência da Groundforce na qualidade de credora. A companhia aérea apresentou o requerimento junto dos Juízos de Comércio de Lisboa do Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa, “com o objetivo, se tal for viável, de salvaguardar a viabilidade e a sustentabilidade da mesma, assegurando a sua atividade operacional nos aeroportos portugueses”.

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