Portugal paga mais para emitir dívida a 10 anos. Juro supera os 0,5%

Agência liderada por Cristina Casalinho realizou um leilão duplo de obrigações do Tesouro a dez e a 14 anos. A procura continua a superar a oferta, mas recuou na maturidade mais longa.

Portugal pagou juros mais altos para emitir 1.250 milhões de euros em dívida de médio prazo. A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública – IGCP realizou esta quarta-feira um leilão duplo de obrigações do Tesouro (OT) a dez e a 14 anos, numa altura em que a taxa para o prazo de referência tem agravado também no mercado secundário.

“O prémio de risco de Portugal tem vindo a subir nas últimas semanas, o que acaba por ser um reflexo nas taxas obtidas“, segundo explica Filipe Silva, diretor da gestão de ativos do Banco Carregosa. “Este movimento nas taxas de dívida soberana, não é exclusivo de Portugal, mas sim de toda a dívida soberana, tanto europeia como americana”.

Na nova linha de referência para a dívida a dez anos, das OT com maturidade em 17 de outubro de 2031, Portugal colocou 551 milhões de euros com uma yield de 0,505%. Esta revela um agravamento face ao último leilão comparável, realizado em março, quando o país tinha pago 0,237% e é o valor mais elevado em mercado primário desde junho do ano passado.

Já em mercado secundário, esta maturidade está a negociar com um juro de 0,532%. A subida do juro no leilão acontece apesar de o apetite dos investidores por esta dívida pública não ter recuado. Pelo contrário, a procura foi 2,47 vezes superior à oferta, quando no último leilão tinha sido 2,32 vezes.

Na maturidade mais longa, com prazo a 12 de outubro de 2035, a emissão foi de 699 milhões de euros, para os quais os investidores pediram 0,841%. Também neste caso é um aumento face ao último leilão desta linha, realizado em janeiro, no qual a yield se tinha situado em 0,319%. Mas no caso destas OT, a procura recuou para 1,68 vezes, face ao anterior rácio de 2,55.

“A retoma gradual das diferentes economias, tem levado a subidas nas previsões do crescimento globalmente, bem como taxas de inflação mais elevadas”, aponta Filipe Silva. “Muito se especula sobre a altura em que os bancos centrais irão começar a abrandar os programas de compra de ativos e nesse sentido o movimento que assistimos nas taxas acaba por ser natural. As subidas atuais estão a ser monitorizadas pelos bancos centrais, não são necessariamente negativas, mas se forem muito rápidas poderão trazer novos problemas, em especial nas economias mais endividadas”.

"O prémio de risco de Portugal tem vindo a subir nas últimas semanas, o que acaba por ser um reflexo nas taxas obtidas. Este movimento nas taxas de dívida soberana, não é exclusivo de Portugal, mas sim de toda a dívida soberana, tanto europeia como americana.”

Filipe Silva

Diretor da gestão de ativos do Banco Carregosa

Esta foi a primeira operação de financiamento de longo prazo no segundo trimestre do ano e o primeiro leilão realizado na linha que passou a ser referência para o prazo a dez anos. Portugal lançou a nova linha de obrigações do Tesouro com maturidade em 2031 no arranque de abril. Nessa emissão sindicada de dívida a dez anos, o IGCP colocou quatro mil milhões de euros com uma taxa de juro em torno de 0,3%.

A emissão acontece também no dia em que a Comissão Europeia apresentou as projeções de primavera. Bruxelas está mais pessimista quanto à evolução da economia portuguesa para este ano — estima que o PIB cresça 3,9% (0,2 pontos percentuais abaixo da projeção anterior) –, mas mais otimista no que diz respeito ao próximo ano, apontando para uma expansão de 5,1% (mais 0,8 p.p. do que tinha anteriormente previsto).

“O crescimento favorável do diferencial das taxas de juro devido às melhores condições económicas” é a principal explicação para a tendência de melhoria que Bruxelas espera que se verifique também ao nível da dívida pública. Depois do pico de 133,6% do PIB em 2020, a dívida iniciará uma trajetória descendente para 127,25% este ano e 122,25% em 2022.

(Notícia atualizada às 11h45)

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