“Já estava preocupado com o Boavista, agora esta sondagem” com a queda do PSD. “É uma desgraça”, ironiza Rio

Rui Rio desvalorizou a sondagem que dá uma vantagem de 16 pontos ao PS sobre o PSD. Porém, reconhece "razão" nas palavras de Alberto João Jardim em que este pede uma mudança "já".

O líder do PSD desvalorizou esta segunda-feira o resultado da sondagem da Intercampus que dá uma vantagem de 16,2 pontos percentuais ao PS (37,9%), face ao PSD (21,7%), nas intenções de voto do eleitorado. Conhecido por questionar a utilidade e a validade das sondagens, Rui Rio ironizou desta vez com a possibilidade do Boavista, clube que apoia, descer da primeira liga no campeonato nacional de futebol.

É uma coisa que me está a correr muito mal. Já estava preocupado que o Boavista pode descer de divisão e agora ainda vem esta sondagem em cima de mim. Isto é uma desgraça completa“, respondeu Rui Rio, com ironia, quando questionado sobre a sondagem divulgada esta segunda-feira, após uma visita ao Museu do Holocausto, em declarações transmitidas pela RTP3.

Porém, o social-democrata não desvalorizou as palavras de Alberto João Jardim, ex-presidente do Governo regional da Madeira, num artigo de opinião no jornal da Madeira JM publicado esta segunda-feira. “O PSD nacional tem de mudar. E já! E estar quotidianamente na luta política“, apelou o social-democrata, acusando o PS de “quer fazer de Portugal a Venezuela da Europa” e Costa de querer ser um “Nicolas Maduro à europeia” dado o caso de Odemira/Zmar.

Em reação ao texto, Rui Rio diz reconhecer “razão” em “algumas coisas” descritas por Alberto João Jardim, afastando, porém, a ideia de que o texto é uma “crítica” à atual direção do PSD. “Temos diversas fases e neste momento estamos numa fase de degradação acentuada da governação em Portugal“, considera o líder do PSD, admitindo que por isso deve “acentuar a oposição” agora, em contraste com a colaboração que marcou o estilo dos social-democratas nos primeiros meses da pandemia.

“Isto [fase de degradação acentuada da governação] é uma opinião muito subjetiva porque as sondagens dizem o contrário: que o Governo está altamente pujante e com forte apoio no eleitorado. Mas isso é o que dizem essas sondagens que vão fazendo. Relativamente aquilo que é a realidade, não é assim“, acrescenta Rio, voltando a desvalorizar os resultados da sondagem e sugerindo que os eleitores estão mais descontentes do que mostram as intenções de voto.

Votar contra a reforma das Forças Armadas seria “uma contradição muito grande”

O presidente do PSD, Rui Rio, afirmou esta segunda-feira que seria uma “contradição muito grande” votar contra a reforma das Forças Armadas, defendida pelo partido “há anos”, só porque foi apresentada pelo Partido Socialista (PS). “Seria uma contradição muito grande do PSD dizer assim: nós há tantos anos que defendemos uma reforma neste sentido e agora porque ela é apresentada pelo Partido Socialista contradizemo-nos a nós mesmos e vamos votar contra só porque é do Partido Socialista, só porque não é do nosso governo”, defendeu, em declarações aos jornalistas, no Porto, onde visitou o Museu do Holocausto.

No domingo, o ex-Presidente da República Cavaco Silva considerou “um erro grave” a reforma das Forças Armadas que o ministro da Defesa pretende fazer, afirmando que é “um equívoco a tempo de ser corrigido”, e que “seria chocante ver deputados social-democratas seguirem esse caminho”.

Declarando o seu respeito pelo ex-chefe de Estado cuja experiência destacou, o social-democrata sublinhou o que está em causa é uma matéria que consta dos programas do PSD “desde o tempo do Durão Barroso” que já apontava para a necessidade de uma reforma com “mais ou menos” estes parâmetros. “Não tem de ser exatamente assim, nem ninguém está a dizer que a forma como ela vai entrar no Parlamento é exatamente a forma como ela vai sair e poderá, na especialidade, naturalmente, sofrer alterações. Mas aquilo que é a linha de fundo é algo que esteve nos programas de Durão Barroso, de Santana Lopes até, nos programas de Passos Coelho e que nós procuramos sempre levar a cabo“, observou.

Para Rio esta é, por isso, uma questão de coerência, sob pena de amanhã ser o PSD a tentar fazer uma reforma e o PS a votar contra porque foi apresentada pelos sociais-democratas. “Assim o país não anda para a frente”, disse. O líder do PSD reconheceu, contudo, que a contestação encabeçada por ex-chefes de Estado-Maior, é algo a ter em conta no debate na especialidade.

“Não vamos ignorar. São tudo pessoas altamente respeitáveis, pessoas que conhecem bem as forças armadas, apesar de estarem já retiradas do ativo e isso naturalmente tem de ser tido em conta. Nós temos de ponderar tudo aquilo que os chefes militares dizem, a começar deste logo pelo general Ramalho Eanes, por quem eu tenho imenso respeito”, disse, sublinhando, contudo, que a linha de fundo é algo pelo qual o PSD e ele próprio sempre se bateu, nomeadamente no programa de Governo que apresentou nas eleições de 2019.

A reforma das Forças Armadas estar a ser contestada por ex-chefes de Estado Maior dos três ramos, 28 dos quais – incluindo o ex-Presidente Ramalho Eanes – assinaram uma carta a criticá-la e a pedir um debate alargado à sociedade civil. O ministro da Defesa, que em março classificou as resistências dos militares na reforma como “interesses corporativos”, criticou no início da semana passada o que considera serem “manobras escusas” de “uma agremiação de antigos chefes militares” que tenta “perpetuar a influência” no setor.

Já o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, enquadrou a contestação dos antigos chefes militares como parte de “um amplo debate, como é próprio em democracia e salutar em democracia”. Em meados de março, o PSD apresentou um documento com propostas para a reforma das Forças Armadas, entre as quais a necessidade de maior investimento, mas também a constituição do chefe de Estado Maior General das Forças Armadas como “chefe do Estado-Maior de Defesa”, passando os chefes dos outros ramos (Exército, Marinha e Força Aérea) para a sua “efetiva dependência direta”, em termos operacionais.

Nessa conferência de imprensa, o coordenador do Conselho Estratégico Nacional (CNE) social-democrata para a Defesa, Ângelo Correia, admitiu que o conceito de PS e PSD para o setor “é o mesmo”, o que considerou “muito bom”, e disse já ter tido contactos com o ministro João Gomes Cravinho sobre estas matérias.

(Notícia atualizada às 14h03 com mais informação)

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