Campanha “Empregos para o Clima” propõe criação do Serviço Nacional do Clima

  • Lusa
  • 27 Maio 2021

O relatório "Empregos para o Clima" diz que é possível cortar as emissões de gases com efeito de estufa em 85% até 2030 e ao mesmo tempo criar 200 mil empregos,

A campanha “Empregos para o Clima” sugere a criação de um Serviço Nacional do Clima, que assegure todo o trabalho necessário à transição para um planeta habitável, segundo um relatório que hoje foi divulgado pela organização.

Afirmando que é possível cortar as emissões de gases com efeito de estufa em 85% até 2030 e ao mesmo tempo criar 200 mil empregos, o relatório defende que na mesma lógica de haver um Serviço Nacional de Saúde, que existe para assegurar o trabalho necessário e acesso público à saúde, devia ser criado um Serviço Nacional do Clima.

A campanha “Empregos para o Clima” foi lançada em Portugal em 2016 e exige a criação massiva de novos empregos no setor público, em setores como a energia, transportes, floresta ou construção. Junta nomeadamente organizações ligadas ao ambiente e sindicatos.

Na terceira edição do relatório da campanha, que foi divulgado em conferência de imprensa e que é apresentado formalmente no sábado no Largo do Carmo em Lisboa, afirma-se que o mundo tem até 10 anos para mudar o curso da civilização e “iniciar uma transição energética profunda”, e que deve criar empregos públicos para cortar emissões de gases e combater o aquecimento global.

E devem ser empregos dignos e públicos na mesma lógica do Serviço Nacional de Saúde, porque é necessário, dizem os promotores, garantir que as pessoas não perdem acesso a recursos básicos e haver uma coordenação cuidadosa para garantir que ninguém perde o emprego. E as empresas, acrescentam, movem-se pelo lucro e não pela justiça social.

Nas contas do documento a transição energética e os empregos custarão entre seis e nove mil milhões de euros por ano, garantidos por fundos europeus, combate eficaz à evasão fiscal, redução gradual dos subsídios a setores poluentes, criação de um novo escalão de IRS para rendimentos mais elevados e um imposto sobre heranças, entre outras fontes.

E serão necessárias 10 medidas “de emergência”, que cortarão emissões e criarão empregos, como a requalificação para a transição, energia pública renovável, mais ferrovia, rodoviária elétrica nacional, mobilidade urbana ferroviária, ou autonomia energética nos edifícios públicos.

Na visão dos promotores, a indústria energética seria o setor que criaria mais empregos (no mínimo 60.000), como no fabrico, transporte e instalação de componentes para energias renováveis, além das áreas de manutenção e transformação.

Os transportes também seriam responsáveis por 60.000 postos de trabalho, na construção e manutenção da ferrovia, no fabrico e manutenção de componentes e veículos, paragens e apeadeiros, ou abastecimento para carros elétricos.

E a requalificação de edifícios absorveria 35.000 postos de trabalho, entre outras propostas ligadas a setores como a indústria ou a floresta, a agricultura ou os resíduos, que ao todo criariam pelo menos 200 mil empregos.

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