Galp sai do H2Sines para “ir mais rápido”. Engie fica a liderar e Governo não está preocupado

"O principal cliente para o nosso hidrogénio limpo não são os holandeses, mas sim Sines, e o nosso próprio consumo de hidrogénio cinzento na refinaria", disse o CEO.

Depois da EDP ter dito já na véspera que ia sair de vez do H2Sines, esta quarta-feira foi a vez da Galp confirmar que também está de partida do projeto bandeira da Estratégia Nacional para o Hidrogénio. A petrolífera justificou a decisão dizendo que quer “ir mais rápido” e, numa primeira fase, produzir hidrogénio para consumo próprio, e não para vender aos holandeses, como é o desígnio do Governo.

Por seu lado, a gigante francesa Engie confirmou em declarações enviadas por e-mail ao ECO/Capital Verde que “embora a EDP e a Galp tenham se retirado do consórcio de hidrogénio verde de Sines, o projecto está a avançar de acordo com o previsto e os restantes membros continuam as necessárias avaliações de viabilidade”. A Engie deverá ser agora ficar a liderar o projeto, que integra ainda a Martifer e a Vestas, apurou o ECO.

Foi mesmo na reta final do Capital Markets Day 2021 que teve lugar esta terça-feira, o novo CEO Andy Brown confirmou aquilo que já tinha sido avançado pelo Dinheiro Vivo e confirmado pelo ECO.

“Posso dizer formalmente que estamos de saída do consórcio H2Sines, que planeava produzir e exportar hidrogénio verde liquefeito para a Holanda. Fizemo-lo porque queremos ir mais rápido. O principal cliente para o nosso hidrogénio limpo não são os holandeses, mas sim Sines, e o nosso próprio consumo de hidrogénio cinzento na refinaria”, disse o CEO em resposta direta a uma questão dos analistas.

E deixou clara a mensagem: “O nosso foco é esse: aquilo que precisamos a curto prazo. E só depois a própria industrialização de Sines, com e-fuels, injeção de hidrogénio na rede de gás, transportes pesados movidos a hidrogénio, amoníaco. Estas utilizações para nós são mais óbvias, imediatas e economicamente mais viáveis para a Galp se focar à data de hoje”

De acordo com Andy Brown, a decisão prendeu-se também com os incentivos e com os subsídios da UE. “É muito cedo ainda para sabermos a quais nos vamos candidatar. Mas há uma combinação entre atrair os fundos que Bruxelas está a disponibilizar nesta área e a regulação sobre como os combustíveis fabricados a partir de hidrogénio serão tratados no mercado. A vontade do Governo em acelerar vai ajudar nisso e o consórcio H2Sines vai continuar a explorar essa oportunidade de investimento e de exportação para a Holanda”, rematou.

Numa primeira reação oficial à saída da EDP e da Galp do consórcio para o hidrogénio em Sines, o ministério do Ambiente e da Ação Climática não só não se mostra muito incomodado com a decisão, como diz mesmo que “só reforça o potencial da Estratégia Nacional para o Hidrogénio”.

“A saída da Galp e da EDP, numa primeira avaliação, demonstra a evolução e o interesse do mercado nesta cadeia de valor estratégica para o país, alinhado com os objetivos de descarbonização da Europa”, defendeu fonte oficial do MAAC em resposta ao ECO/Capital Verde.

Apesar de reafirmar que “a formalização dos consórcios é da responsabilidade das empresas que o integram”, a mesma fonte frisa que “Sines continua com o mesmo papel relevante como cluster industrial, independentemente da orgânica entre os vários agentes”.

“Com a atual dinâmica do mercado nacional, em que todos os projetos continuam a ser uma mais-valia na cadeia de valor hidrogénio, sublinha-se que se mantém a capacidade de execução, o contributo para a prossecução da Estratégia Nacional para o Hidrogénio e a ambição de Portugal para a cadeia de valor europeia”, rematou a mesma fonte.

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