Maya diz que BCP beneficia com taxa negativa do empréstimo para o Novo Banco

Banca emprestou 475 milhões ao Fundo de Resolução com juro negativo. Miguel Maya disse que BCP sai beneficiado dessa situação dado que a instituição é o maior contribuinte do fundo.

Os bancos concederam uma linha de 475 milhões de euros ao Fundo de Resolução com uma taxa de juro negativa. O BCP considera que beneficia do facto de o empréstimo ter taxas negativas (pelo menos nos primeiros anos), na medida em que se o Fundo de Resolução tiver menores encargos no futuro isso também vai representar um menor fardo para o banco, que é o maior contribuinte do fundo.

“O BCP é o maior contribuinte do ponto de vista proporcional. Quanto menores encargos tiver o Fundo de Resolução, menos vou pagar. Estou claramente interessado em que o Fundo tenha menos encargos”, explicou o CEO do banco, Miguel Maya, na comissão de inquérito ao Novo Banco.

“Tenho de fazer o trade off”, acrescentou aos deputados. “Quanto é que eu ganho em margem com um spread maior versus o que é que eu beneficio, uma vez que a estrutura de pagamento é tão desequilibrada para o BCP, pelo facto de quanto maior for o empréstimo, os outros mais recebem e o BCP mais vai pagar porque tem uma quota maior nas contribuições”.

Logo por aí, quanto mais negativa fosse a taxa, melhor para o BCP”, respondeu. De acordo com o Fundo de Resolução, a linha de financiamento de 475 milhões de euros deverá ter uma taxa de juro de -6 pontos base (taxa de juro das obrigações a cinco anos, acrescido de spread de 15 pontos base), sendo que as condições serão revistas em 2026.

O BCP contribui com cerca de 50 milhões de euros para o Fundo de Resolução todos os anos, tendo feito já contribuições acumuladas de 400 milhões de euros, notou Miguel Maya aos deputados.

Por várias vezes se queixou que o modelo de contribuições para o Fundo de Resolução é injusto, penalizando os bancos sediados em Portugal. “Por que razão a Revolut não paga e o BCP paga [pelo Fundo de Resolução], [ambas] oferecendo o mesmo produto?“, questionou Miguel Maya.

O CEO do banco deu ainda outra razão para justificar a taxa de juro negativa do empréstimo ao Fundo de Resolução: o custo de depositar dinheiro no Banco Central Europeu (BCE). Neste momento o BCP tem depositados na instituição mais de 2,5 mil milhões de euros. “Pago por ter lá o depósito”, afirmou. A taxa do BCE encontra-se nos -0,5%.

“É a mesma razão pela qual eu compro dívida com juros negativos”, sublinhou.

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