Implementar IFRS17 requer 10 mil novos empregos no setor segurador

  • ECO Seguros
  • 10 Junho 2021

Contratar e reter talento humano é um dos desafios na implementação da norma contabilística, conclui um relatório da Willis Towers Watson junto de mais de 300 seguradoras de 50 países.

A implementação da norma IFRS17 – novo standard internacional de contabilidade que reformula o modo como as seguradoras tratam os contratos de seguro e resseguro a diversos níveis (agregação de carteiras, cohort da base de clientes, mensuração de responsabilidades, rentabilidade) – deverá custar à indústria global de seguros entre 15 mil milhões e 20 mil milhões de dólares, estima um relatório concluído pela Willis Towers Watson (WTW), empresa global de corretagem de seguros, consultoria de risco e planos de benefícios empresariais.

Pela sua dimensão extraordinária, o número levanta naturalmente “muitas questões às administrações e aos investidores,” comentou Kamran Foroughi, Global IFRS 17 Advisory Leader na WTW.

O relatório da WTW, baseado em inquérito junto de 312 companhias seguradoras de 50 países, assume-se como o estudo mais abrangente até agora realizado. Os custos estimados variam com a dimensão de cada companhia, mas a WTW adianta que, individualmente, cada uma das 24 maiores multinacionais de seguros terão de gastar 175 a 200 milhões de dólares, esperando-se que a despesa para cada uma das 288 restantes ascenda a um montante indicativo de 20 milhões de dólares.

À medida que se aproxima a fase de transição para a aplicação do novo normativo contabilístico (janeiro de 2023), além do esforço financeiro, que poderá trazer benefícios a longo prazo, o estudo aponta desafios a que as seguradoras terão de fazer frente para uma boa implementação da IFRS 17, nomeadamente ao nível das processos, sistemas, dados e pessoas.

A análise da WTW aponta questões-chave, destacando-se a necessidade de mais de 10 mil novos empregos a tempo inteiro. Isto representa um desafio importante para as seguradoras na função de recrutamento e retenção de talento, sendo que a exigência de qualidade e retenção de recursos humanos vai além dos programas de implementação da IFRS17, observa a WTW.

Entre outras conclusões do estudo, pouco mais de metade (52%) das companhias inquiridas acreditam que a IFRS17 seja mais útil do que as normas geralmente aceites (GAAP) para melhorar lucros e rentabilidade de capital. Ainda, de acordo com o documento, a maioria das seguradoras considera que a IFRS17 terá um impacto pouco significativo nas métricas e negócio (KPI). Por outro lado, o universo das que mostram ter bom entendimento das implicações da norma no negócio já equivale a 17%, contra 6% em 2020.

Para que as seguradoras tirem proveito da IFRS 17, “devem visar melhorias significativas nos processos empresariais, incluindo a automatização,” complementa Kamran Foroughi .

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