Quatro em cada dez casas compradas na pandemia foram moradias

Entre abril de 2020 e 2021, foram realizadas 111.301 transações de moradias com recurso a financiamento bancário, num total de 302.171 operações com imóveis. Representaram 37% do total.

Quase de um dia para o outro, a vida como a conhecíamos mudou. A pandemia do novo coronavírus obrigou praticamente todo o mundo a resignar-se a medidas restritivas para evitar a propagação do vírus que levaram, no caso português, a dois confinamentos. Com as famílias fechadas em casa, aumentou o desejo de “ar livre”. E muitos portugueses passaram do desejo à compra, com quase quatro em cada dez imóveis transacionados num ano de pandemia a serem moradias.

Vários estudos têm revelado mudanças na procura por imóveis. Houve um aumento na busca por apartamentos com mais espaço, para compensar as portas fechadas por causa da Covid-19, mas também a necessidade de mais divisões para o teletrabalho. Além disso, apontam para uma maior apetência por imóveis com espaço no exterior. E os dados do Instituto Nacional de Estatísticas permitem perceber que não se tratou apenas de um desejo: aumentou mesmo o peso das moradias nas transações de imóveis.

Analisando a informação estatística do INE percebe-se que entre abril de 2020, mês em que Portugal “mergulhou” no primeiro confinamento, e abril deste ano, depois de mais de dois meses de novo lockdown, foram realizadas 111.301 transações de moradias com recurso a financiamento bancário, num total de 302.171 operações com imóveis (considerando Portugal continental e ilhas).

O “peso” das moradias no total de transações ascendeu a 37%, ou seja, quase quatro em cada dez operações realizadas neste período de pandemia foram para a compra de vivendas. Os apartamentos continuam a liderar, mas a representatividade no global das transações financiadas pela banca encolhe para 63%.

Percentagem de moradias transacionadas em função do total de imóveis

Fonte: INE | Valores em percentagem

Antes da chegada da Covid-19 a Portugal as vivendas representavam cerca de um terço do total, enquanto os apartamentos eram responsáveis pelos outros dois terços.

Em maio, junho, julho, agosto e setembro de 2020, a percentagem de moradias adquiridas em função do total superou sempre os 37%, com junho a ser aquele em que se atingiu o nível mais elevado desde que o INE começou a recolher estes dados (em janeiro de 2019). Nesse mês, 38,1%, ou 6.270 dos 16.456 imóveis transacionados foram moradias.

Este ano, a tendência mantém-se, com março e abril a apresentarem proporções mais elevadas de moradias no total de imóveis transacionados. Em ambos os meses foi superada a marca dos 37%.

Portugueses endividam-se mais com a casa

Esta tendência pode ajudar a explicar o aumento dos valores médios de endividamento das famílias na compra de habitação. A subida dos preços do imobiliário será o principal motivo para o incremento do capital médio em dívida no crédito à habitação, que está já bem acima da fasquia dos 110 mil euros, mas o facto de as moradias serem, regra geral, mais caras que os apartamentos também terá impacto nos valores.

De acordo com dados do INE, o valor médio em dívida nos créditos à habitação realizados nos últimos três meses atingiu um máximo de 114.752 euros, em abril. Nos contratos realizados nos últimos seis meses ascendeu a 113.093 euros, enquanto nos últimos 12 chegou aos 111.046 euros.

Em abril de 2020, logo após a chegada da pandemia a Portugal, o valor médio em dívida nos contratos celebrados nos últimos 12 meses era de 103.393 euros.

Financiamento para a casa acima dos mil milhões por mês

Em abril, o novo financiamento concedido pelos bancos para a aquisição de habitação voltou a ficar acima da fasquia dos mil milhões, ascendendo a 1.220 milhões de euros. Na comparação homóloga, assistiu-se a um aumento de 46,8% no valor concedido para este fim.

Foi o segundo mês consecutivo acima da fasquia dos mil milhões de euros emprestados pela banca para a compra de casa, sendo que essa marca tinha sido superada já em dezembro de 2020.

No acumulado deste ano, e numa altura em que os juros cobrados pelos bancos no crédito à habitação estão em mínimos — a taxa média foi de 0,82% em abril, o setor financeiro concedeu já 4.569 milhões de euros às famílias para a aquisição de imóveis. No mesmo período do ano passado o valor era de 3.679 milhões. Ou seja, regista-se um aumento de 24,2%.

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