Emissão de dívida da UE dá “garantia” que dinheiro vai chegar “muito em breve”, diz Leão

União Europeia colocou 20 mil milhões de euros em obrigações a 10 anos. A procura sete vezes superior à oferta levou o juro a cair para apenas 0,086%.

A União Europeia fez esta terça-feira a primeira emissão de dívida para financiar a “bazuca” europeia, tendo colocado 20 mil milhões de euros a uma taxa muito próxima de 0%, conseguida graças à forte procura. O ministro das Finanças português João Leão diz que a operação é um “marco para a nossa história” e antecipa que o dinheiro chegue “muito em breve” aos países.

A emissão de hoje [terça-feira] dá-nos a garantia de que o dinheiro vai começar a chegar às economias muito em breve, o que juntamente com a aprovação dos primeiros Planos de Recuperação já no decorrer desta semana, permitirá aos Estados-Membros começar a implementar os investimentos e reformas necessárias para a recuperação económica”, afirmou Leão, em comunicado.

Na operação desta terça-feira, a União Europeia obteve 20 mil milhões de euros, um valor que representa o dobro dos 10 mil milhões indicados inicialmente. Os bancos mandatados registaram ordens superiores a 142 mil milhões de euros, ou seja, a procura foi sete vezes superior à oferta.

O forte apetite dos investidores pelas novas obrigações a dez anos contribuiu para reduzir a primeira indicação de preço em 3 pontos base, tendo o juro final ficado em 0,086%. Os títulos vencem a 4 de julho de 2031 e a operação é a maior emissão de sempre de um emitente institucional na Europa e a maior transação de uma só vez da UE.

“O dia de hoje é um marco para a nossa história europeia, pela solução sem precedentes de resposta comum à crise”, disse Leão, sublinhando que o resultado é “indicativo do sucesso” do programa de emissões que agora se iniciou e da “confiança dos mercados” no NextGenerationEU. “Após a ratificação da Decisão de Recursos Próprios por todos os Estados-Membros em tempo recorde, estamos muito satisfeitos por termos conseguido dar mais este passo durante a Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia”.

Cinco meses depois de concluída a ratificação da decisão dos recursos próprios por parte dos 27 Estados-membros da União Europeia, avança assim a primeira emissão de dívida em nome da UE para financiar o Próxima Geração UE. Após esta primeira transação, a Comissão realizará uma segunda em junho e uma terceira em julho. Só depois disso é que o dinheiro irá começar a chegar aos países.

Espera-se que a Comissão Europeia aprove esta semana os primeiros planos de recuperação. Na quarta-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, desloca-se a Lisboa para anunciar formalmente a aprovação do PRR português, ainda sujeito a aprovação pelo colégio, numa viagem que abrange também países como Espanha e depois Grécia, Dinamarca e Luxemburgo. Após a aprovação de Bruxelas, o Conselho tem mais quatro semanas para aprovar os PRR por maioria qualificada.

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