Facebook sem data para revelar metas de redução de emissões poluentes

Em 2020 a pegada carbónica total do Grupo Facebook foi de quatro milhões de toneladas métricas de CO2 equivalente. A empresa quer ser neutra em carbono em 2030 mas não avança ainda metas concretas.

De cada vez que faz uma publicação no Facebook, segue os seus influenciadores preferidos no Instagram, publica uma “história” ou um direto, conversa com família e amigos que estão do outro lado do mundo pelo WhatsApp, talvez não imagine que a pegada carbónica total do Grupo Facebook rondou em 2020 quatro milhões de toneladas métricas de CO2 equivalente.

Ainda assim, e em pleno ano de pandemia de Covid-19, a empresa conseguiu ficar ligeiramente abaixo do recorde absoluto de 4,33 milhões de toneladas métricas de CO2 equivalente emitidas para a atmosfera em 2019. Nesse ano, o Facebook deu um salto gigante nas suas emissões poluentes, mais do que quadruplicando a sua pegada carbónica de pouco mais de um milhão de toneladas para mais de quatro milhões.

Agora, o grupo que detém todas estas aplicações sem as quais já não vivemos (e mais algumas), e cerca de três mil milhões de utilizadores em todo o mundo, garante que quer ser neutro em carbono em 2030 e promete reduzir as emissões da sua cadeia de valor (responsável por 99% das emissões em 2020), mas ainda não avançou metas concretas para essa mesma redução. E não tem sequer data para o fazer.

“Estamos a analisar a totalidade da pegada carbónica da nossa cadeia de valor (emissões de âmbito 3) para perceber onde estão as maiores oportunidades de redução de emissões. Nos próximos meses vamos falar mais sobre os nossos objetivos específicos de redução de emissões, tanto para a totalidade da pegada, como em áreas específicas. Mas ainda não revelámos publicamente as nossas metas oficiais de redução de emissões. Estamos a trabalhar nisso agora e será revelado em breve. Ainda não temos uma data específica”, admitiu Edward Palmieri, Diretor de Sustentabilidade do Facebook numa mesa redonda com jornalistas para apresentar o Relatório de Sustentabilidade de 2020, na qual o ECO/Capital Verde foi convidado a participar.

No evento, o responsável sublinhou sobretudo algumas das conquistas da empresa no ano passado. A começar pelo facto de ter conseguido atingir emissões líquidas zero de gases de efeito estufa na sua parte operacional (emissões de âmbito 1 e 2), através de uma redução de 94% nas emissões, em comparação com os níveis de 2017. Esta meta ficou assim acima da redução de 75% das emissões poluentes inicialmente prevista.

Soma-se ainda a meta de 100% de energia renovável nas suas operações globais e o lançamento de um novo Climate Science Information Center. O portfólio de energia renovável da empresa totalizou mais de 5,9 GW de projetos eólicos e solares sob contrato, e o Facebook aumentou ainda o seu portfólio operacional de energia eólica e solar para mais de 3,3 GW, abrangendo 15 estados dos EUA, e também a Europa e Ásia. Na gestão e poupança de água, a gigante tecnológica deu conta que restaurou localmente cerca de 5,8 milhões de metros cúbicos em regiões ‘high water stress’.

“Estamos orgulhosos do que atingimos, mas não fizemos tudo. No ano passado estabelecemos a meta de atingir a neutralidade carbónica da nossa cadeia de valor (emissões de âmbito 3) em 2030. Estamos a falar da nossa cadeia de abastecimento, viagens executivas e as deslocações dos trabalhadores para os escritórios, entre outras. Para conseguir atingir este objetivo estamos focados em reduzir emissões, tal como já fizemos com as operações diretas. Vamos estabelecer uma nova meta de redução das emissões de acordo com a Science Based Target Iniciative. A redução da emissão de gases com efeito de estufa é e vai continuar a ser uma parte muito importante dos nossos esforços de sustentabilidade”, sublinhou Edward Palmieri, Diretor de Sustentabilidade do Facebook.

Para isso, a empresa planeia estabelecer parcerias com fornecedores da sua cadeia de valor (servidores, hardware e produtos de consumo). “Queremos desenvolver soluções para nos descarbonizarmos, mas também ser fonte de inovação e criar procura no mercado para novas soluções de inovação que ajudem à descarbonização, sejam novos materiais, entre outros. Queremos aprofundar parcerias”, explicou Palmieri.

O responsável de Sustentabilidade disse também que uma das áreas críticas para a empresa é descobrir formas de estender a vida do hardware e equipamentos o mais possível, e trazer mais eficiência a essa área, tal como na água e energia. “Substituir menos equipamento. Reduzir viagens de avião também. O que fazemos, o que compramos e como viajamos, vai ajudar a baixar emissões já a curto prazo em toda a nossa cadeia de valor”, rematou.

Em 2020, os gastos com bens e serviços foram os que mais pesaram na pegada carbónica da cadeia de valor do Facebook (1,85 milhões de toneladas métricas de CO2 equivalente), seguidos dos bens de capital (edifícios, veículos, equipamento, maquinaria, servidores, hardware — 1,84 milhões de toneladas métricas) e das viagens de negócios (29 mil toneladas métricas).

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