Patrão da Ryanair chama Pinóquio a Pedro Nuno Santos e recusa guerra comercial

“A Ryanair é amada pelos portugueses, mas não está é a ser bem tratada pelo ministro Pedro Nuno Santos, que mente. Os políticos mentem a toda a hora", acusou o CEO da companhia aérea.

O CEO da Ryanair, Michael O’Leary, acusa o Governo português de mentir sobre a companhia aérea low cost. E a acusação não podia ser mais gráfica: o executivo da empresa britânica apresentou uma fotomontagem em que o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, aparece com o nariz de Pinóquio, a personagem infantil a quem o nariz cresce de cada vez que falta à verdade.

“A Ryanair é amada pelos portugueses, mas não está é a ser bem tratada pelo ministro Pedro Nuno Santos, que mente. Os políticos mentem a toda a hora”, acusou, numa conferência de imprensa esta quarta-feira, em Lisboa. O’Leary respondia às críticas do ministro de que tinha lançado uma “guerra comercial” quando apresentou um processo judicial contra as ajudas de Estado à TAP.

Para suportar a acusação de que o ministro “tem levado a cabo uma campanha para fazer acusações falsas sobre a Ryanair”, bem como a fotomontagem de Pedro Nuno Santos, a companhia aérea recorre à análise de várias citações, atribuídas ao responsável pela pasta das Infraestruturas. “A Ryanair promove guerra comercial”, está “envolvida em dumping social” ou que “é subsidiada pelo Estado português”, são algumas das citações que, diz o CEO da empresa, são todas elas falsas.

Vestido com uma camisola da seleção nacional portuguesa, disse que “tal como quando Portugal jogar, esta noite no Euro 2020 contra França, não irá estar a fazer uma guerra comercial, nós também estamos apenas a competir. Chama-se concorrência”, justificou. Já em relação aos trabalhadores, o responsável da companhia aérea irlandesa garantiu que todos têm contratos legais e que as leis laborais portuguesas são cumpridas. Sublinhou ainda que não só a Ryanair não recebeu ajudas públicas como não as quer nem precisa.

“Falsa” é também, segundo O’Leary, a afirmação de que o “Governo português tem o direito de investir três mil milhões de euros na TAP”, diz o CEO. “Não é um investimento, são impostos deitados na sanita da TAP“, atira, utilizando a mesma expressão a que recorreu recentemente nas críticas aos apoios dados pelo Estado à TAP.

Admite que a companhia portuguesa possa receber alguma ajuda — apontando para mil milhões de euros –, mas sublinha que para isso tem, por um lado, de ser mais eficiente e, por outro, de ceder slots no aeroporto da Portela. “Queremos crescer e aumentar a oferta, mas não há slots disponíveis”, afirmou.

“Não somos só uma empresa estrangeira, somos um grande investidor em Portugal e um grande pagador de impostos. Enquanto contribuinte, consideramos que o Governo está a gastar dinheiro dos contribuintes na TAP, enquanto o que devia estar a fazer era desenvolver o aeroporto do Montijo“, disse, acrescentando que a empresa pretende investir 500 milhões de euros e criar 500 empregos nesta infraestrutura.

(Notícia atualizada às 13h10)

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