Malparado toca mínimos desde 2008 antes do fim das moratórias

Empréstimos em incumprimento continuam a cair. É uma boa notícia para a banca, antes das moratórias terminarem. Rendibilidade voltou a subir no arranque do ano.

Apesar do impacto da pandemia, os bancos continuam a baixar o nível de empréstimos em incumprimento nos seus balanços. O rácio de NPL (non performing loans) atingiu os 4,6% no final de março, menos 0,3 pontos percentuais em relação a dezembro do ano passado. Traduzido em euros, dá qualquer coisa como 14 mil milhões.

Os dados foram avançados esta quarta-feira pelo Banco de Portugal, e surgem numa altura em que as autoridades (Governo, banca e reguladores) se encontram em conversas para decidir o que fazer após o fim das moratórias públicas, em setembro. Ainda há um total de 38,5 mil milhões de euros de empréstimos suspensos, havendo o risco de uma parte relevante se transformar em malparado se não houver apoios. Os últimos dados dão conta de 3,2 mil milhões de euros em moratórias dados como perdidos pela banca.

A trajetória do malparado da banca continua a ser de queda, embora menos intensa do que nos últimos anos, o que se explica também pelo facto de o rácio estar em mínimos desde 2008 e não ser possível grandes evoluções a partir de patamares tão baixos. Nesse ano, em plena crise do subprime nos EUA, o rácio de NPL dos bancos nacionais situou-se nos 3,6%.

Porém, o malparado subiu em flecha nos anos posteriores, até atingir os 17,9% em março e junho de 2016. O final desse ano terminou com a banca a ter 46,4 mil milhões de euros de empréstimos problemáticos.

Desde essa altura e até hoje, os bancos “limparam” 32,4 mil milhões de euros de malparado dos seus balanços e já baixaram do “número mágico” – palavras de Mário Centeno – dos 5% do rácio pedido pelas autoridades europeias.

Em termos líquidos de imparidades, o crédito em situação de incumprimento totaliza os 6,2 mil milhões de euros (os bancos têm imparidades de 7,8 mil milhões para cobrir estes ativos tóxicos), traduzindo-se num rácio de NPL líquido de 3,4%.

Malparado subiu, mas já desceu

Fonte: Banco de Portugal e APB

Os dados sobre Sistema bancário português relativo ao primeiro trimestre mostram ainda que a rendibilidade da banca melhorou no arranque do ano. “A rendibilidade do ativo (ROA) e a rendibilidade do capital próprio (ROE) aumentaram face ao primeiro trimestre de 2020, situando-se em 0,4% (+0,2 pp) e 4,7% (+2,2 pp), respetivamente”, revela o Banco de Portugal.

O aumento do ROA deveu-se sobretudo ao “contributo positivo dos resultados de operações financeiras”, geralmente associadas a vendas de títulos de dívida pública. Por outro lado, o custo do risco de crédito diminuiu 0,14 pontos percentuais, situando-se em 0,54%, invertendo a tendência de aumento observada em 2020, altura em que os bancos começaram a por de lado dinheiro para fazer face à pandemia.

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