Galp. “Procuramos pessoas com know-how nos caminhos que queremos desbravar”

Ana Casaca é desde março a nova head of innovation da Galp. A companhia está a apostar em energias low carbon, com reflexo no perfil dos futuros colaboradores e nos projetos de inovação da empresa.

Ana Casaca, head of innovation da GalpD.R.

A Galp está a descarbonizar e a mudar o perfil dos seus recursos humanos. “Procuramos pessoas com know-how nos caminhos que queremos desbravar, nomeadamente nas energias renováveis”, diz Ana Casaca, desde março head of innovation da companhia. Até 2025, a companhia vai investir perto de 50% do seu investimento – num total de 0,8 a 1 mil milhões de euros por ano – para projetos low carbon. “Não será apenas o negócio que se vai transformar: todos teremos que nos “reenergizar”.

Num momento em que tanto se fala de empoderamento feminino e diversidade, Ana Casaca garante que “Galp tem um percurso muito sólido em matérias de diversidade, inclusão e igualdade de género. São bandeiras que fazem parte do nosso ADN”, lembrando que a empresa voltou este ano a ser incluída, pelo terceiro ano consecutivo, na lista de 380 empresas do “Gender-EqualityIndex”, da Bloomberg.

O apoio às startups é também um dos focos da companhia e esta semana, durante o “Innovation Day”, os colaboradores tiveram acesso a alguns dos projetos, como o uso de drones para inspecionar as suas instalações solares com o objetivo de melhorar o desempenho das operações destas instalações, em que a empresa está a trabalhar.

“O país tem feito um caminho para posicionar-se como startup friendly, mas acredito que há ainda caminho a percorrer para que essa posição se materialize de forma mais efetiva”, comenta.

A Galp está em processo de transformação para energias mais verdes. De que modo a aposta nas startups está a ajudar nesse percurso?

A Galp está num processo de transição energética fundamental para contribuir para a sustentabilidade ambiental e cumprir metas definidas e acordadas a nível europeu e nacional. A nossa ambição é atingir a neutralidade carbónica até 2050, tendo objetivos intercalares ambiciosos, como a redução do índice de intensidade carbónica (baseado em produção) em 40% (scopes 1, 2 e 3) ou a redução das emissões absolutas das operações em 40% (scopes 1 e 2). Perante tais objetivos é fundamental que alavanquemos no ecossistema de inovação que nos rodeia para que possamos acelerar ao máximo este caminho. A aposta nas startups surge neste contexto e é por isso considerada muito importante. Trabalhando com startups conseguimos trazer para a Galp competências, conhecimento e tecnologias que permitirão traçar o caminho a que nos propomos.

A Everimpact é um exemplo claro desta aposta: neste caso em específico estamos a trabalhar juntos num projeto que ambiciona monitorizar a redução de emissões de CO2 utilizando imagens de satélite e sensores de última geração. Este piloto irá testar uma nova metodologia de controlo das emissões que se espera mais fiável, transparente e que pode abrir a porta à participação em mercados voluntários de carbono.

Esta semana decorreu o Innovation Day. Que projetos estiveram sob o olhar da companhia?

Este evento é interno e tem como principal objetivo promover, ainda mais, o mindset e cultura de inovação dentro da empresa. E queremos também reforçar a ideia de que a inovação é feita por todos e que é essencial. Apresentamos o nosso roadmap de inovação e tivemos uma montra dos principais projetos trabalhados recentemente ou em curso com diversos stakeholders, sejam internos ou externos. A nossa expectativa é de que as pessoas que visitem – presencialmente ou digitalmente – os eventos fiquem impressionadas com o valor que este tipo de projeto pode acrescentar à empresa. E, claro, que fiquem motivados para que inovemos em conjunto.

Um dos casos foi a utilização de drones para inspecionar as suas instalações solares com o objetivo de melhorar o desempenho das operações destas instalações. Uma iniciativa que faz parte da estratégia de Otimização através da Digitalização, que foi liderada por um conjunto de equipas – Inovação, Renováveis, IT&D – para a construção da arquitetura e processamento de dados. O primeiro teste no terreno foi realizado pela Sensehawk e teve como objetivo realizar análises termográficas para a instalação de 50MW, Sierrezuela, localizada em Aragão. A termografia e as imagens RGB captadas são então enviadas para uma ferramenta de IA que identificará e analisará anomalias de desempenho nos painéis e contribuir para, no fim da linha, aumentar o seu desempenho, pela intervenção corretiva mais atempada.

 

Portugal recuou “significativamente” no Painel Europeu da Inovação 2021, da Comissão Europeia. É um “inovador moderado” e o 9.º país com pontuações mais baixas. Pontua ainda abaixo da média nos indicadores relacionados com as alterações climáticas, alertou Bruxelas. Como se inverte estes resultados?

Trabalhando mais rápida e intensamente. É fundamental intensificar a colaboração entre stakeholders do sistema de inovação e torná-la transversal a toda a tipologia de empresas em Portugal. As conclusões do estudo são expectáveis, na medida em que os modelos de negócio dos países líderes foram reinventados mais cedo e que a digitalização está mais avançada no dia a dia dessas populações. Diria que temos de trabalhar mais rapidamente e alavancar em todos os recursos para acelerar, nomeadamente bebendo das melhores práticas implementadas em países que estão mais desenvolvidos neste contexto.

Que componente do investimento a Galp dedica à inovação? E ao apoio – cofinanciamento – do ecossistema de startups?

No nosso Capital Markets Day foi anunciado que até 2025 perto de 50% do investimento da Galp (num total de 0,8 a 1 mil milhões de euros por ano) seria direcionado para projetos low carbon, para os quais energias renováveis e novas energias serão fundamentais, representando cerca de 30% e cerca de 5%, respetivamente. Estão em causa áreas de negócio em fases iniciais de desenvolvimento de grande potencial onde será canalizado investimento para projetos de inovação.

Fábrica da Inovação e o projeto Flow são duas iniciativas a Galp neste campo. Que outras estão a levar a cabo?

Temos diversas iniciativas, direcionadas para negócios existentes e novos negócios. A “Galp Upcoming Energies” é a nossa porta de comunicação com o universo exterior, através da qual desafiamos a comunidade nacional e internacional para nos ajudar a responder aos nossos desafios. Uma das iniciativas de open innovation neste sentido é a recentemente anunciada colaboração com a Amazon Web Services no “Clean Energy Accelerator” em que nos propomos garantir um processo abrangente de mentoring das startups recorrendo à rede Galp para desafiar e testar as propostas das startups. Outro exemplo é a spinoff “energia independente – powered by Galp” emancipada do grupo para se dedicar em exclusivo ao negócio do autoconsumo por via da instalação de painéis fotovoltaicos.

O País tem-se vindo a posicionar no exterior como um mercado favorável à instalação de startups internacionais. É efetivamente startup friendly? O que falta?

O País tem feito um caminho para posicionar-se como startup friendly, mas acredito que há ainda caminho a percorrer para que essa posição se materialize de forma mais efetiva. A colaboração a nível local, por exemplo, tem de ser escalada para todo o tecido empresarial e não ficar limitada a grupos restritos.

O empreendedorismo tecnológico tem uma enorme falta de representatividade de mulheres. Esse é um tema para a Galp? Que iniciativas estão a levar a cabo para impulsionar o número de mulheres nas tech?

A Galp tem um percurso muito sólido em matérias de diversidade, inclusão e igualdade de género. São bandeiras que fazem parte do nosso ADN. Este ano, aliás, a Galp voltou a ser incluída pelo terceiro ano consecutivo na lista de 380 empresas do “Gender-Equality Index”, da Bloomberg, que avalia as práticas e políticas de igualdade de género das empresas cotadas, bem como a transparência na prestação de informação sobre este tema. Isto é o reconhecimento dos esforços da Galp – consubstanciados no seu Plano para a Igualdade para 2021 – para que a Igualdade de Género, nos seus diferentes domínios, seja uma realidade na empresa.

Foi por isso também que, por exemplo, subscrevemos os “Women’s Empowerment Principles – Equality Means Business”, uma iniciativa conjunta do United Nations Global Compact e do United Nations Development Fund for Women que visa a promoção da igualdade de género. E já em 2014 tínhamos aderido ao Fórum de Organizações para a Igualdade (iGen). Todo este histórico tem natural reflexo na atenção que dedicámos ao tema no recrutamento para as áreas da inovação e da tecnologia. A prová-lo está o facto de colaborarmos com o projeto “GirlMOVE – ChangemakersLAB”, que endereça precisamente esta questão.

 

De que modo esta transformação da companhia para atividades com menor intensidade carbónica se reflete no perfil de recrutamento da Galp? Que novos perfis procuram?

Procuramos pessoas com know-how nos caminhos que queremos desbravar, nomeadamente nas energias renováveis. Mas acreditamos que temos também muitos recursos com enormes valências para nos fazer crescer e que existe muito potencial para transferência de competências e know-how entre os negócios da Galp. Não será apenas o negócio que se vai transformar: todos teremos que nos “reenergizar”.

Estamos a reforçar a equipa de inovação das renováveis e novas energias também da área de downstream (comercial). Procuramos perfis colaborativos, open minded, que entendem que as soluções podem vir de diferentes origens – corporativo, académico, startups, outros negócios. Precisamos de diversidade que traga valor à discussão e debate de diferentes ideias, abordagens, backgrounds e experiências. Temos que ter uma forte componente de partilha e de construção, envolvimento de diferentes stakeholders, com vista ao teste, prototipagem, desenvolvimento e scale up de ideias e projetos, assim como a capacidade de identificar o que não é core ou estratégico.

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