Há 3.762 novos alojamentos locais. Mas cancelamentos superaram aberturas no Porto e Lisboa

No primeiro semestre foram criados 3.762 novos alojamentos locais, mas registaram-se 2.425 cancelamentos. Em Lisboa e no Porto os cancelamentos foram superiores às aberturas.

A pandemia abalou o turismo e o alojamento local foi um dos negócios que mais sentiu (e sente) na pele os efeitos. As reservas oscilam consoante as decisões que se tomam relativamente às viagens e há quem não aguente o impacto: 2.425 empresários desistiram deste negócio no primeiro semestre. Contudo, ainda há quem confie neste mercado e prova disso é que foram criados 3.762 alojamentos locais até junho. O cenário no Porto e em Lisboa, no entanto, está mais negro, uma vez que os cancelamentos superaram as novas aberturas.

Entre 1 de janeiro e 30 de junho de 2020 foram criados 3.762 novos alojamentos locais, metade dos 7.153 que foram criados no mesmo período do ano passado, quando a pandemia dava os primeiros passos, mostram os dados do projeto ‘Local Data’, baseados nos registos do Registo Nacional de Alojamento Local (RNAL), cedidos pela Associação do Alojamento Local em Portugal (ALEP) ao ECO.

De norte a sul, a evolução dos registos de alojamento local durante o primeiro semestre “não foi simétrica”, refere a associação. Guarda, Bragança, Vila Real, Viseu e Viana do Castelo destacaram-se, registando os maiores aumentos na evolução dos alojamentos locais, entre os 7% e os 9%.

Por distritos, a associação liderada por Eduardo Miranda destaca o Porto, que perdeu 2,3% dos alojamentos locais que tinha. Numa análise mais fina, os dados mostram que o concelho do Porto ganhou 380 novos registos, mas perdeu 699, o que resulta num saldo negativo.

Mas Lisboa também se destacou pela negativa, embora menos do que o Porto. O distrito perdeu 0,2% dos alojamentos locais e, quando se fala no concelho de Lisboa, observaram-se 487 novos registos e 596 cancelamentos. Novamente, um saldo negativo. A ALEP destaca que “a diminuição real em Lisboa é ainda bastante superior do que mostram os números do RNAL devido às áreas de contenção e à ausência de mecanismos de suspensão dos registos”, isto porque “muitos titulares saíram do turismo de curta duração e mantém ainda o registo oficial no RNAL”.

No relatório cedido ao ECO, a ALEP nota que as diminuições observadas no Porto e em Lisboa foram o “resultado de um duplo impacto da crise: redução drástica do número de aberturas e o aumento do número de cancelamentos”. Isto porque as preferências dos hóspedes recaíram sobre os destinos mais de natureza, como já tinha acontecido no ano passado.

“Enquanto os destinos urbanos, como Lisboa e, principalmente, Porto, continuam a ser muito penalizados, (…) a tendência de 2020 mantém-se com os distritos do interior a terem uma evolução positiva no número de registos, fruto de uma maior procura por destinos de natureza mais isolados”, salienta a associação.

Evolução do número de alojamentos locais no 1.º semestre

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