PSD quer raio-X à passagem de Vítor Fernandes no Novo Banco

O PSD enviou um requerimento ao Novo Banco para que entregue informação sobre as decisões de Vítor Fernandes, o nome escolhido pelo Governo para o Banco de Fomento que está a criar polémica.

O grupo parlamentar do PSD fez um requerimento, no âmbito da comissão de inquérito ao Novo Banco, para que a instituição envie informação sobre as decisões de Vítor Fernandes, ex-administrador do banco agora indigitado pelo Governo para o Banco de Fomento. Em causa está a ligação do banqueiro aos créditos da Imosteps, de Luís Filipe Vieira, que resultaram em perdas para o Novo Banco e, por causa do mecanismo de capital contingente, para o Fundo de Resolução.

Os deputados do PSD justificam o pedido com “os factos vindos a público sobre a venda de créditos de grandes devedores pelo Novo Banco e uma situação em particular relacionada com créditos da Imosteps alienados com grandes perdas para o Fundo de Resolução, que ascenderam a 45 milhões de euros, estando em causa atos de gestão do Novo Banco que poderão ter tido a participação do então administrador Vítor Fernandes“.

Perante as dúvidas que se colocam sobre o envolvimento do gestor nessas perdas que estão a ser investigadas pela justiça, o PSD faz três pedidos ao Novo Banco:

  • Esclarecimento detalhado sobre todos os processos onde interveio, direta ou indiretamente, formalmente ou informalmente, o antigo administrador Vítor Fernandes em reestruturações ou alienação de créditos de grandes devedores do Novo Banco, em especial os abrangidos pelo mecanismo de capital contingente;
  • Esclarecimentos sobre a participação do então administrador Vítor Fernandes na venda do crédito da Imosteps ao fundo Davidson Kempner;
  • Detalhe das posições assumidas em documentos internos ou atos de gestão do Novo Banco pelo então administrador Vítor Fernandes na alienação destes ativos ou nas reestruturações efetuadas.

Vítor Fernandes foi o nome escolhido pelo ministro da Economia para liderar o novo Banco de Fomento. Após ter passado no processo de Fit & Proper do Banco de Portugal (que o regulador está agora a reavaliar), falta ainda o parecer da Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública (Cresap) para a conclusão do processo de nomeação da nova equipa de gestão do Banco Português de Fomento. O processo poderá agora ser interrompido caso o Executivo decida recuar perante as críticas de vários partidos da oposição, incluindo Bloco, Iniciativa Liberal, PAN e agora com o PSD a levantar dúvidas.

Luís Filipe Vieira, que está a ser investigado no âmbito do processo Cartão Vermelho, ficou proibido de contactar Vítor Fernandes, indicado pelo Governo para presidente do Banco de Fomento, além dos gestores do Novo Banco e dos outros arguidos, após o juiz ter decidido as medidas de coação a aplicar ao presidente (suspenso) do Benfica. O Ministério Publico considerou, no seu despacho de indiciação, que o chairman do Banco de Fomento terá favorecido Vieira na reestruturação de uma dívida de 54 milhões de euros da imobiliária Imosteps. Vítor Fernandes está referenciado, mas não é arguido e nem lhe é imputado qualquer ilícito criminal.

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