82 empresas portuguesas assinam manifesto para impedir que o mundo aqueça 2,9 graus

  • Capital Verde e Lusa
  • 22 Julho 2021

O manifesto foi promovido pelo Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável e apresenta 11 objetivos para travar as alterações climáticas.

A três meses da próxima reunião mundial sobre o clima, em Glasgow, de 31 de outubro a 12 de novembro, mais de 80 empresas portuguesas assinaram o manifesto “Rumo à COP26”, no qual alertam que se a ação climática se limitar às políticas em curso o mundo vai aquecer 2,9⁰C, “incompatível com a ambicionada proteção para a biosfera e vida na Terra”.

O manifesto foi promovido pelo Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável (“Business Council for Sustainable Development” – BCSD), uma organização que junta mais de 100 empresas comprometidas com uma transição para a sustentabilidade. O BCSD faz parte de uma rede global de empresas, a “World Business Council for Sustainable Development”, WBCSD.

O documento apresenta 11 objetivos para travar as alterações climáticas e considera que o momento atual é decisivo e que é crucial aproveitar as lições da pandemia de covid-19 “para acelerar a transição necessária”. E conclui que é preciso que a COP26 seja um sucesso, “de forma a evitar consequências desastrosas para as sociedades e economias”.

Conheça os 11 objetivos deste Manifesto “Rumo à COP26”

1. Setor energético

Assegurar a neutralidade carbónica global até 2050, usando como referência global a ambição expressa no Roteiro para a Neutralidade Carbónica (RNC2050), designadamente, a ambição de mais de 80% do mix energético ter origem em fontes renováveis até 2050.

2. Natureza

Alinhar agendas e reconhecer que os objetivos de mitigação e adaptação às alterações climáticas não podem ser concretizados sem a promoção eficaz de soluções baseadas na natureza (nomeadamente, valorizando os sumidouros naturais de carbono, como a floresta e os oceanos), e o restauro, a conservação e a valorização dos recursos naturais.

3. Serviços de ecossistema

Adotar mecanismos de remuneração que permitam a valoração dos serviços que a natureza nos presta, geralmente não remunerados, para garantir que os seus benefícios, essenciais à economia, à regulação do clima e da diversidade biológica, e à nossa saúde, são assegurados no futuro.

4. Contribuições Nacionalmente Determinadas

Aumentar o número de países ativamente comprometidos em reduzir em 50% as emissões até 2030 e em atingir emissões net zero até 2050, tornando os seus compromissos juridicamente vinculativos. Paralelamente, garantir a finalização do Livro de Regras do Acordo de Paris e, no caso dos países da UE, garantir que as políticas nacionais acompanham as metas definidas.

5. Subsídios e mecanismos de mercado

Atribuir um preço de carbono, de modo a internalizar os seus impactes ambientais, e eliminar gradual e efetivamente subsídios injustificados ou incompatíveis com o objetivo de redução de emissões de Gases com Efeito de Estufa, através de instrumentos transparentes e robustos, de alcance global e equilibrados entre espaços económicos, de forma a evitar distorções concorrenciais que levem à exportação de emissões para geografias menos exigentes, ou à circulação de produtos que não cumpram os requisitos aplicáveis, assegurando a erradicação da pobreza energética, salvaguardando a segurança do abastecimento e contribuindo para transformar o comportamento dos consumidores.

6. Mercados de carbono internacionais

Definir regras claras e robustas para o funcionamento do Artigo 6º do Acordo de Paris sobre mercados de carbono, que evitem a dupla contabilização de créditos de carbono, garantam uma redução global das emissões e contribuam para a construção de uma economia neutra em carbono.

7. Financiamento de países em desenvolvimento

Cumprir o compromisso, definido no Acordo de Paris, de apoio aos países em desenvolvimento, no valor de 100 mil milhões US$ por ano, enquanto fator crítico na proteção contra os impactes climáticos e na aceleração da descarbonização a nível global, com regras e monitorização.

8. Finanças sustentáveis

Criar incentivos de mercado que direcionem o financiamento e o investimento para soluções de baixo carbono, nomeadamente, soluções de finanças sustentáveis, procurando assegurar normas universais de medição e reporte do risco e dos impactes climáticos.

9. Investigação, desenvolvimento e inovação (I&D&I)

Apoiar o desenvolvimento de novas tecnologias e a alteração de métodos produtivos, através da colaboração entre empresas e academia, e da dinamização de parcerias público-privadas em prol da neutralidade carbónica.

10. Transição justa

Criar mecanismos para qualificação e requalificação das pessoas mais afetadas pela transição, baseados no diálogo entre trabalhadores, empregadores, governos, comunidades e sociedade civil, para que ninguém fique para trás e se garanta que os custos e benefícios da ação climática são distribuídos de forma equitativa.

11. Planos de adaptação

Incentivar os países a desenvolverem estratégias de resiliência que acautelem os riscos climáticos físicos nos locais chave das cadeias de valor globais e para as comunidades e populações locais.

“Empresas têm um papel decisivo na ação climática”

Com estes 11 objetivos, as empresas e membros do conselho consultivo do BCSD chamam a atenção para a necessidade de energias renováveis, para a proteção e valorização da natureza, ou para a importância de mais países se comprometerem em reduzir em 50% as emissões de gases com efeito de estufa até 2030 (e emissões neutras em 2050).

As organizações deixam ainda conselhos sobre o mercado do carbono, sobre os apoios a países mais pobres, sobre o financiamento e investimento em soluções de baixo carbono ou sobre a importância dos planos de adaptação às alterações climáticas.

“As empresas têm um papel decisivo na ação climática, não só pelos impactos das suas cadeias de valor, mas sobretudo pelo seu potencial de investimento, conhecimento e inovação”, diz, citado num comunicado sobre o manifesto entretanto divulgado, o secretário-geral do BCSD Portugal, João Meneses.

Já João Castello Branco, Presidente da Direção do BCSD Portugal e Presidente do Conselho
de Administração da The Navigator Company, sublinha a importância desta iniciativa,
explicando que “não podemos deixar que a ação climática se limite às políticas e
iniciativas atualmente em curso, sob pena de isso resultar num aquecimento global no
mínimo de 2,9⁰C” o que não é, de todo, compatível com a proteção que se ambiciona para o planeta e para a biosfera.

O manifesto foi já assinado por 82 empresas: Abreu Advogados, Águas
e Energia do Porto, Algebra Capital, Altice Portugal, Altri, SGPS, AMBIOSFERA LDA, ANA
Aeroportos de Portugal, APCER – Associação Portuguesa de Certificação, APlanet,
Avenue, BioRumo – Consultoria em Ambiente e Sustentabilidade, Biosphere Portugal,
Bondalti, Brisa, Carglass, Casa Mendes Gonçalves, Cimpor Portugal Cabo Verde
Operations, CMS – Rui Pena e Arnaut, Cocoon Experience, Companhia das Lezírias,
CONSULAI, Corticeira Amorim, CTT, Deloitte Technology, Delta Cafés, EDIA – Empresa de
Desenvolvimento e Infra-estruturas do Alqueva, EDP – Energias de Portugal, Efacec,
Endesa, Everis Portugal, EY, Fidelidade, Finerge, FLEXDEAL, Fujitsu Technology Solutions,
Galp, GoWithFlow, Grosvenor House of Investments, Grupo Ageas Portugal, Grupo
Águas de Portugal, Grupo ProCME, Hovione, HyChem – Química Sustentável, Jerónimo
Martins, Joyn SGPS, Lidergraf – Sustainable Printing, LIPOR – Serviço Intermunicipalizado
de Gestão de Resíduos do Grande Porto, Loyal, ManpowerGroup Portugal,
Metropolitano de Lisboa, Millennium bcp, Mota-Engil, NOS, Oney Bank, Prio Bio, REN –
Redes Energéticas Nacionais, Resíduos do Nordeste, Saint-Gobain Portugal, Sair da
Casca, Santander, Savills Portugal, Schneider Electric Portugal, Schréder, SECIL, Signium
| Xara-Brasil, Sofid, SOJA DE PORTUGAL, Sonae GPS, SOVENA, Stravillia Sustainability
Hub, SUMOL+COMPAL, Super Bock Group, SUSTAINAZORES, Tabaqueira, TECNOPLANO,
S.A., The Navigator Company, Tintex Textiles, TRIVALOR SGPS, UCI – Dê Crédito à sua
Vida, VINCI Energies Portugal, Vogue Homes, Zolve – Logística e Transporte, Presidente
e Vice-Presidente do Conselho Consultivo do BCSD Portugal

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