Um quarto dos novos créditos para a casa em 2020 teve spread até 1%

Bancos concederam menos créditos, mas de maior valor. E o custo dos empréstimos para a compra de casa encolheu no ano passado, por causa das Euribor mas também dos spreads mais baixos.

Em ano de pandemia, a compra e venda de casas encolheu, embora os preços tenham continuado a valorizar. Houve, por isso, menos créditos à habitação concedidos por parte dos bancos (na sua maioria a taxa variável), embora o valor concedido tenha aumentado. Mas refletindo a maior apetência do setor na atribuição destes financiamentos, bem como a maior concorrência, o custo destes empréstimos encolheu à boleia de spreads mais baixos. Um quarto dos financiamentos teve spreads até 1%.

“Em 2020, foram concedidos, em média, 901,6 milhões de euros por mês em crédito à habitação (mais 4,7% do que em 2019), no âmbito da celebração de 7.553 contratos (menos 1,9%)”, diz o Banco de Portugal no Relatório de Acompanhamento dos Mercados Bancários de Retalho de 2020. “No final do ano, existiam 1,45 milhões de contratos de crédito à habitação na carteira das instituições”, nota.

Nestes empréstimos, com um prazo médio de 33,1 anos, a “taxa variável representou 82,3% dos contratos celebrados em 2020 e 82,9% do montante de crédito concedido, proporções inferiores às de 2019 (respetivamente, 86,4% e 87,4%)”, com a Euribor a 12 meses a manter a preferência. Os contratos remanescentes foram realizados com recurso à taxa mista (fixa e variável) e à fixa, correspondendo a 12% e 5,7% do total.

Além da taxa variável ser mais baixa do que as restantes, reflexo do contexto de juros baixos do Banco Central Europeu que mantém as Euribor em valores negativos, os novos créditos contaram ainda com custos mais baixos por causa das margens cobradas pelos bancos nestes empréstimos, tradicionalmente de menor risco.

“O spread médio dos novos contratos indexados à Euribor a 3, 6 e 12 meses fixou-se em 1,19 pontos percentuais, menos 0,13 pontos percentuais do que em 2019″, diz o Banco de Portugal. Para esta média contribuiu o aumento da proporção de spreads baixos, inferiores a 1%.

Segundo o Relatório de Acompanhamento dos Mercados Bancários de Retalho de 2020, “aumentou de forma significativa o peso dos spreads entre os 0,5 e 1 pontos percentuais, que passaram a representar cerca de um quarto dos contratos a taxa variável, o que compara com 8% em 2019″. Isto acontece depois de um ano em que várias instituições passaram a apresentar margens mínimas de 1%, ou ligeiramente abaixo disso.

Ainda assim, “a maioria dos contratos celebrados a taxa variável em 2020 (65%) continuou a ter spreads entre 1 e 1,5 pontos percentuais, embora os spreads neste intervalo tenham perdido importância, face a 2019 (70,7%)”. “Destaca-se ainda a diminuição do peso dos spreads entre 1,5 e 2 pontos percentuais, de 17,2% em 2019, para 8,4% em 2020″, remata o Banco de Portugal.

Esta “evolução dos spreads médios nos novos contratos contribuiu para uma ligeira redução do spread médio da carteira, que se fixou em 1,24 pontos percentuais no final de 2020 (1,27 pontos percentuais no final de 2019)”, conclui o regulador do setor.

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