Benfica consegue, por um triz, os 35 milhões de euros junto de 1.887 investidores

SAD dos encarnados conseguiu arrecadar os 35 milhões de euros que pretendia com a emissão de obrigações junto de investidores de retalho. Operação decorreu num contexto conturbado do clube.

O Benfica atingiu o objetivo de financiamento através da emissão de novas obrigações junto dos investidores de retalho, muitos deles sócios ou simpatizantes do clube. Arrecadou os 35 milhões de euros de que necessitava junto de 1.887 aforradores, isto apesar do contexto conturbado que se vivem em torno do clube, com a detenção de Luís Filipe Vieira e os negócios do “Rei dos Frangos” com o norte-americano John Textor.

De acordo com a informação avançada pela Euronext Lisboa, foi registada uma procura válida de 35,79 milhões de euros durante as três semanas em que os investidores puderam dar ordens sobre os títulos de dívida da SAD que pagam um juro bruto anual de 4% durante três anos. Esta procura, ligeiramente superior ao montante pretendido, está já deduzida de um total de 10 ordens canceladas por duplicação, no valor de 135 mil euros.

Com este dinheiro em caixa, a SAD pode repor a liquidez depois de ter reembolsado, no dia 16 de julho, 19,98 milhões de uma emissão de 2018, que em dezembro de 2019 tinha sido alvo de uma amortização antecipada de 25,02 milhões. Por outro lado, o dinheiro obtido poderá também ser relevante para o período de transferências de jogadores, permitindo ter dinheiro em caixa entre pagamentos e recebimentos.

Maioria investiu entre 10 e 50 mil euros

No total, a SAD atraiu para esta emissão 1.887 investidores, com grande parte deles a fazerem investimentos avultados nestes títulos. O mínimo de subscrição era 2.000 euros, mas 38% dos investidores, num total de 717, aplicou entre 10.005 e 50 mil euros, sendo que houve 88 que fizeram investimentos de valor superior a 50 mil euros.

Apesar de haver muitos investidores a fazerem grandes investimentos nestas obrigações, a procura total ficou apenas ligeiramente acima do montante pretendido pela pela SAD que desta vez nem o aumentou. Perante isso, apenas 905 mil euros em obrigações foram alvo de rateio.

Ao contrário do que tem vindo a ser habitual, não foi revelado o momento em que as ordens de subscrição dos títulos a emitir pelo Benfica superaram a quantidade disponibilizada. Nestas operações, principalmente nas das SAD, pelo investimento tender a ser feito por adeptos e sócios do clube, as obrigações esgotam quase sempre nos primeiros dias em que ficam disponíveis ao balcão dos bancos.

Período conturbado para os encarnados

Recorde-se que esta emissão arrancou a 5 de julho. Apenas dois dias depois de arrancar o período de subscrição dos títulos, caiu a primeira “bomba” no clube encarnado: Vieira foi detido, com o até então presidente do Benfica a ser acusado de desvio de dinheiro da Benfica SAD. Suspendeu o cargo, que acabou por ser assumido por Rui Costa, para mais tarde vir a renunciar em definitivo, isto após 18 anos em que esteve à frente do clube das águias.

Juntamente com Vieira, também o “Rei dos Frangos”, o maior acionista individual da SAD encarnada foi detido. Em causa estão eventuais crimes de fraude ao Fundo de Resolução, de abuso de confiança no Benfica e de burla qualificada com os financiamentos do Novo Banco ao grupo económico Promovalor.

E pouco depois, foi a vez de a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários aumentar o “ruído” à volta do Benfica, bem como da sua operação de financiamento junto de pequenos investidores. Encontrou “irregularidades diversas” na estrutura acionista da SAD, nomeadamente uma participação superior à comunicada oficialmente por José António dos Santos. Não só tinha mais de 20% do capital como havia um acordo para a venda desta posição.

O arguido na operação “Cartão Vermelho” acabou, a 14 de julho, a confirmar tanto a participação na SAD como “dois acordos para a venda” de 25% do capital da Benfica SAD ao investidor americano John Textor, dependente do pagamento até ao próximo dia 15 de setembro. Textor assumiu o interesse, mas a administração “bateu com a porta”, afirmando que chumba o investidor caso este pretenda fechar o acordo firmado.

(Notícia atualizada às 16h55 com mais informação)

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