A falência da Dielmar em 5 números

Insolvência da Dielmar contempla várias dimensões, desde oito milhões de dinheiro público até uma dívida à banca de cerca de seis milhões de euros, passando pelos 300 postos de trabalho.

A empresa de vestuário Dielmar, que “se debate, há vários anos, com graves problemas financeiros”, segundo o Governo, apresentou o pedido de insolvência esta sexta-feira. Já avançaram vários apoios públicos à empresa, que superam os oito milhões de euros, como sinalizou o ministro da Economia, que poderão não ser recuperados.

Há mais de 300 postos de trabalho em causa com o encerramento da Dilemar, a maioria no interior do país. O Governo rejeita uma nova injeção de “dinheiro fresco” numa empresa “que não tem salvação”, estando ainda assim à procura de “soluções para os ativos da empresa que possam assegurar a preservação dos postos de trabalho”.

Desde o dinheiro público, à dívida para com a banca, os fornecedores e a Segurança Social, passando pelos anos de resultados negativos, há grandes números que representam a situação da Dielmar.

Oito milhões de euros públicos

O ministro da Economia explicou que “mais de oito milhões de euros públicos já estão a apoiar a empresa”, valor que “se calhar” não vai ser recuperado. Em comunicado, é explicitado que, durante os últimos dez anos, “várias entidades públicas injetaram um valor aproximado de 5.000.000,00€ na empresa, tendo também garantido mais de 3.000.000,00€ de dívida”.

Siza Vieira lembrou também que o Estado “foi assegurando a capitalização da empresa”, tendo “entrado no capital com 30%” e adquirido, em 2017, imóveis por 2,5 milhões de euros. “O Estado garante ainda uma parte muito substancial da dívida da Dielmar: mais de 3,2 milhões de euros”, acrescentou o ministro.

O gabinete do governante detalhou ainda que o “Estado, através do Fundo Autónomo de Apoio à Concentração e Consolidação Empresarial (FACCE) e o Fundo Imobiliário Especial de Apoio às Empresas (FIEAE), dois fundos públicos, já aportaram à Dielmar, sob a forma de capital, suprimentos e leasing imobiliário, um montante de 2.700.000,00 € através do FACCE, entre 2011 e 2013, e outro de 2.500.000,00€ através do FIEAE, em 2017″.

“Além dos apoios referidos, a Dielmar tem garantias da Garval – Sociedade de Garantia Mútua, S. A., que integra o grupo do Banco Português de Fomento, no valor de 1.775.000,00€”, acrescentam.

10 anos de resultados negativos

A Dielmar já enfrenta dificuldades há cerca de uma década. Pedro Siza Vieira sublinhou, em declarações esta segunda-feira, que “as dificuldades da Dielmar são evidentes“. Aliás, há muito que o Estado acompanha a situação desta empresa, que acumula, frisou o mesmo, resultados negativos “desde há dez anos”.

Após estas declarações, o gabinete do Ministro de Estado, da Economia e Transição Digital enviou um comunicado a reforçar que a situação vivida pela empresa “é anterior à crise provocada pela pandemia da doença Covid-19, tendo-se prolongado pelos últimos 10 anos”. “Durante este período, várias entidades públicas injetaram” dinheiro na empresa, “tendo também garantido mais de 3.000.000,00€ de dívida”, continua.

No entanto, “o recurso a estes montantes pressupunha a realização de um conjunto de medidas necessárias à reestruturação, sendo que a maioria destas medidas não foram aplicadas pela administração da Dielmar“, lê-se no comunicado.

6,142 milhões de dívida à banca

No final do dia, após declarações de Siza Vieira sublinhando que o “dinheiro público não serve para salvar empresários”, o gabinete do ministro revelou o montante da dívida aos bancos. A empresa “regista uma dívida à banca de montante total de cerca de 6.142.000,00 euros”, segundo o comunicado, enviado esta segunda-feira.

O pedido de insolvência da Dielmar entrou no tribunal na sexta-feira e deverá ser agora nomeado um gestor de insolvência para liderar o processo.

300 trabalhadores

A Dielmar emprega mais de 300 pessoas, a maioria no interior do país. Situada no distrito de Castelo Branco, a Dielmar era das maiores empregadoras na região, juntamente com a fábrica de farinha Lusitânia.

A unidade fabril entrou em período de férias no final de julho, mas a gestão entendeu que não teria condições para manter o pagamento de salários a partir de agosto, mesmo beneficiando de apoio do lay-off, como sucedeu nos últimos meses. Foram pagos os salários aos trabalhadores e as responsabilidades fiscais e da Segurança Social, mas há dívidas à banca, que vão passar a malparado.

Perante a situação da empresa, o presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco, José Alves, adiantou ao ECO que está em cima da mesa a hipótese de recolocar os 300 colaboradores da Dielmar noutras empresas da região.

2,5 milhões de dívida a fornecedores e 1,7 milhões à Segurança Social

O comunicado do ministério da Economia adianta também que a “empresa registava, em novembro de 2020, uma dívida a fornecedores de cerca de 2.500.000,00 euros (vencidos na sua quase totalidade) e à Segurança Social, num montante superior a 1.700.000,00 euros”.

Até março, a empresa liderada por Ana Paula Rafael faturou pouco mais de 700 mil euros, número que compara com um volume de negócios da ordem dos cinco milhões de euros no ano anterior.

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