Dielmar espera segunda oportunidade com bazuca europeia

Apesar da insolvência, a histórica empresa de vestuário tem esperança que a bazuca chegue um dia à economia do interior e que possa ainda dar uma segunda oportunidade ao projeto.

A Dielmar, que pediu insolvência devido à pandemia da Covid-19 e atirou 300 pessoas para o desemprego, “lamenta imenso” ter que tomar esta decisão. A história empresa de vestuário, localizada em Castelo Branco, tem “esperança que a bazuca europeia dê uma segunda oportunidade a este projeto empresarial” e que a “insolvência possa abrir novas oportunidades que poderão proporcionar o ressurgimento da empresa”.

“Fica a marca e o know-how da Dielmar, as instalações e os equipamentos fabris e a vontade de trabalhar destas gentes, que, porventura com a “bazuca” que um dia certamente chegará à economia do interior para promover a retoma, possam ainda ter uma segunda oportunidade e dar mais 50 anos a este projeto empresarial, garantindo o bem-estar e o futuro destas populações”, explica a empresa num comunicado enviado às redações.

Para a empresa, a insolvência poderá abrir “novas oportunidades que terão certamente a mobilização e apoio do próprio Estado e da autarquia e poderão proporcionar o ressurgimento da empresa e a manutenção dos seus atuais postos de trabalho”.

O presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco, José Alves, confirma ao ECO que a bazuca europeia poderá ser “um caminho a explorar” e que o Estado possa proporcionar essa hipótese”.

A decisão de insolvência, prende-se essencialmente com os efeitos da pandemia de Covid-19, contaminada por um conjunto de situações que foram letais. A empresa justifica em comunicado que “esta crise atacou, globalmente, o que de melhor sustentava a atividade: o convívio social, os eventos e casamentos, com a elegância, o glamour da alfaiataria por medida e a personalização em que nos especializámos e o trabalho profissional no escritório que eram a base fundamental do negócio da Dielmar”.

Após cinco séculos de existência e um esforço em manter viva a tradição, Ana Paula Rafael, filha de um dos quatro fundadores, diz em comunicado que “termina hoje o sonho” dos seus “pais e dos fundadores da Dielmar que, há 56 anos, ousaram transformar a sua atividade artesanal com a criação de uma indústria em Alcains que criou milhares de empregos, formou milhares de pessoas, gerou uma imensa riqueza para a região e para o país e levou o nome de Portugal pelo mundo”.

O encerramento da Dielmar vai ter um impacto regional relevante no emprego. A Dielmar pede que sejam “tomadas verdadeiras medidas e iniciativas a favor do Interior, para que todos estes trabalhadores voltem a poder ter o seu emprego e não tenham de sair da sua terra para trabalhar”.

Talvez a insolvência da Dielmar seja o alerta e o farol para que possam repensar com caráter de urgência o Interior e apoiar as indústrias que ainda aqui existem e que suportam, há décadas, a fixação das pessoas e a economia e equilíbrio social da região. E que proporcionam, sobretudo, oportunidades de trabalho para as mulheres”, refere a maior empregadora de Castelo Branco, em comunicado.

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