“Dinheiro público não serve para salvar empresários”. Estado tem 8 milhões na Dielmar que “se calhar não vai recuperar”

A Dielmar decidiu avançar com um pedido de insolvência. Em reação, Siza Vieira explica que "mais de oito milhões de euros públicos já estão a apoiar a empresa" e poderão não ser recuperados.

O Governo está empenhado em encontrar “novas entidades” que sejam capazes de dar um “destino útil” à Dielmar, garantiu, esta segunda-feira, o ministro da Economia, em declarações aos jornalistas. Siza Vieira explicou que “mais de oito milhões de euros públicos já estão a apoiar a empresa”, que apresentou um pedido de insolvência, valor que “se calhar” não vai ser recuperado. “Os dinheiros públicos servem para apoiar empresas, salvaguardar os ativos das empresas. Não servem para salvar empresários“, atirou ainda Pedro Siza Vieira, rejeitando uma nova injeção de “dinheiro fresco” numa empresa “que não tem salvação”.

De acordo com o governante, “as dificuldades da Dielmar são evidentes“. Aliás, há muito que o Estado acompanha a situação desta empresa, que acumula, frisou o mesmo, resultados negativos “desde há dez anos”. Siza Vieira lembrou também que o Estado “foi assegurando a capitalização da empresa”, tendo “entrado no capital com 30%” e adquirido, em 2017, imóveis por 2,5 milhões de euros. “O Estado garante ainda uma parte muito substancial da dívida da Dielmar: mais de 3,2 milhões de euros”, acrescentou o ministro.

Siza Vieira explicou, além disso, que, ao longo dos anos, o Estado procurou “assegurar que a Dielmar tivesse a possibilidade” de fazer uma reestruturação do seu passivo, bem como uma reestruturação operacional, tentou ainda encontrar investidores que “pudessem entrar no capital da empresa”, mas não foi possível encontrar interessados.

A situação culminou agora com o pedido de insolvência apresentado pela empresa de vestuário, que tem uma fábrica em Castelo Branco e 11 lojas próprias. Para Siza Vieira, é preciso agora encontrar “novas entidades que sejam capazes de dar um destino útil à empresa, de assegurar uma gestão operacional capaz“. O Estado, da sua parte, está “absolutamente disponível para, relativamente aos seus créditos, trabalhar no sentido de assegurar uma melhor gestão e, sobretudo, a salvaguarda dos postos de trabalho”, salientou o ministro da Economia.

Questionado sobre a possibilidade de o Estado entrar com mais apoios, o governante atirou: “Os dinheiros públicos servem para apoiar empresas, salvaguardar os ativos das empresas, não servem para salvar empresários“. Siza Vieira acrescentou que “mais de oito milhões de euros públicos já estão a apoiar a empresa”, não valendo a pena meter agora “dinheiro bom em cima de uma empresa que não tem salvação”.

Ainda no que respeita a esses oito milhões de euros, o ministro admitiu que o Estado poderá não recuperar tal montante, mas garantiu que fará esforço para assegurar a “maior recuperação possível”.

Quanto aos trabalhadores da Dielmar, Siza Vieira explicou que os contratos de trabalho mantêm-se e disse-se confiante na possibilidade de encontrar uma solução que salvaguarde os postos de trabalho (cerca de 300). “Os trabalhadores da Dielmar têm uma experiência acumulada muito significativa. Existe hoje em dia escassez de mão-de-obra no setor têxtil e de vestuário e estamos seguros de que, trabalhando com credores, vamos encontrar uma solução que salvaguarde aquilo que tem solução na empresa, que são os trabalhadores, e que assegure que estes possam estar ao serviço da nossa economia”, defendeu o ministro.

Após estas declarações, o gabinete do Ministro de Estado, da Economia e Transição Digital enviou um comunicado a reforçar que a situação vivida pela empresa “é anterior à crise provocada pela pandemia da doença Covid-19, tendo-se prolongado pelos últimos 10 anos”. “Durante este período, várias entidades públicas injetaram um valor aproximado de 5.000.000,00€ na empresa, tendo também garantido mais de 3.000.000,00€ de dívida”, continua.

No entanto, “o recurso a estes montantes pressupunha a realização de um conjunto de medidas necessárias à reestruturação, sendo que a maioria destas medidas não foram aplicadas pela administração da Dielmar“, lê-se no comunicado. Adianta ainda que a empresa “regista uma dívida à banca de montante total de cerca de 6.142.000,00 euros”.

Para além disso, a empresa “registava, em novembro de 2020, uma dívida a fornecedores de cerca de 2.500.000,00€ (vencidos na sua quase totalidade) e à Segurança Social, num montante superior a 1.700.000,00€“.

Fundada em 1965, a empresa de vestuário era a maior empregadora de Alcains, em Castelo Branco. Em comunicado, a Dielmar garantiu que “pagou pontualmente e até à data os salários aos seus trabalhadores”.

(Notícia atualizada às 21h04)

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