EUA rejeitam apelo da OMS para moratória sobre doses de reforço das vacinas

  • Lusa
  • 4 Agosto 2021

O governo norte-americano considera que a moratória proposta não é necessária porque o país não tem de escolher entre aplicar a moratória a nível nacional e ajudar outros países.

Os Estados Unidos rejeitaram esta quarta-feira o apelo da OMS relativo a uma moratória sobre doses de reforço das vacinas contra a covid-19, considerando que não precisam de escolher entre administrá-las a seus cidadãos ou doá-las a países pobres.

É uma falsa alternativa”, disse a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, sobre o pedido da Organização Mundial da Saúde (OMS), que pediu esta quarta-feira uma moratória sobre as doses de reforço das vacinas contra a covid-19 para que os países pobres possam imunizar a sua população.

“Achamos que podemos fazer as duas coisas”, pelo que não é necessário escolher entre aplicar a moratória aos norte-americanos, o que ainda não está oficialmente planeado, ou ajudar os países pobres, acrescentou.

Psaki lembrou que os Estados Unidos já distribuíram mais de 100 milhões de doses da vacina contra a covid-19 para países menos privilegiados. Este número é superior, segundo Washington, ao das doações de todos os outros países do mundo somados.

Os Estados Unidos ainda não tomaram uma decisão sobre a administração de doses de reforço. Mas Alemanha e Israel já anunciaram campanhas para uma terceira dose para as vacinas que exigem duas doses iniciais, destinadas principalmente a idosos.

epa08286538 (FILE) – Tedros Adhanom Ghebreyesus, Director General of the World Health Organization (WHO), informs the media about the update on the situation regarding the novel coronavirus (2019-nCoV), during a new press conference, at the World Health Organization (WHO) headquarters in Geneva, Switzerland, 10 February 2020 (reissued 11 March 2020). Reports on 11 March 2020 state Tedros Adhanom Ghebreyesus has said the novel coronavirus COVID-19 outbreak ‘can be characterised as a pandemic’. EPA/SALVATORE DI NOLFI

Esta quarta-feira, em Genebra, o diretor-geral da OMS, na habitual videoconferência de imprensa da organização sobre a evolução da pandemia da covid-19, fez um apelo nesse sentido.

Necessitamos urgentemente de mudar as coisas: [passar] de uma maioria de vacinas para os países ricos para uma maioria [de vacinas] para os países pobres”, afirmou, acrescentando que a moratória deve durar “pelo menos até ao fim de setembro”.

O médico etíope tem frequentemente alertado para a falta de equidade na distribuição e administração de vacinas contra a covid-19, prejudicando os países mais pobres, sobretudo africanos. Nos países pobres, 1,5 pessoas em cada 100 receberam uma dose de uma vacina, enquanto nos países ricos foram 100 em cada 100.

Ao pedir uma moratória, o líder da OMS reagia ao facto de Israel ter iniciado recentemente a administração de uma terceira dose da vacina Pfizer/BioNTech a pessoas com mais de 60 anos, para travar as infeções com a variante Delta do novo coronavírus, mais contagiosa. A Alemanha anunciou que vai administrar uma terceira dose de reforço a idosos e outras pessoas mais vulneráveis a partir de um de setembro. Ainda sem datas, Espanha tenciona também avançar com a administração de uma terceira dose das vacinas Pfizer/BioNTech e Moderna.

Em maio, o diretor-geral da OMS lançou o desafio, que se tem revelado cada vez mais difícil de alcançar, de ter 10% da população de todos os países do mundo vacinada até setembro. “Para lá chegar, precisamos da cooperação de todos, especialmente de um punhado de países e empresas que controlam a produção global de vacinas”, frisou Ghebreyesus, que apelou aos grupos farmacêuticos para que privilegiem o Covax, mecanismo de distribuição universal e equitativa de vacinas contra a covid-19 de que beneficiam 92 países pobres.

Contudo, até à data, o Covax, cogerido pela OMS, não conseguiu cumprir a sua missão, devido à falta de doses, tendo apenas distribuído uma pequena fração de vacinas. Dos quatro mil milhões de doses de vacinas injetadas no mundo, 80% foram nos países de médios e altos rendimentos, que representam menos de metade da população mundial.

 

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