TAP com redução de 50% da capacidade nos meses de verão

A capacidade de transporte de passageiros da companhia aérea é metade da que existia em 2019, ainda assim uma forte melhoria face aos níveis registados no verão passado.

A TAP está a recuperar progressivamente a capacidade e aponta agora para uma redução de 50% nos meses de verão, face aos níveis registados no mesmo período de 2019. Um nível muito acima de 2020, mas aquém do que era estimado em maio.

“A atividade da TAP tem vindo a evoluir gradualmente, conforme previsto. A percentagem da capacidade (ASK) face a igual período de 2019 está a aumentar, sendo que a redução da capacidade já se situa em torno dos 50% durante os meses de julho, agosto e setembro, uma capacidade em linha com o cenário moderado da IATA”, afirma a companhia aérea ao ECO.

O ASK (Available Seat Kilometer) multiplica os lugares disponíveis nos aviões em operação pelos quilómetros que podem ser percorridos. Daí que seja uma medida de oferta e não de procura. Ainda assim, ajuda a aferir a segunda, uma vez que por razões de custos a capacidade tem de estar ajustada à expectativa de ocupação das aeronaves.

A redução de 50% fica abaixo das perspetivas traçadas em maio pelo anterior CEO. Numa “newsletter” interna, a que Lusa teve acesso, Ramiro Sequeira (agora administrador executivo) previa que a capacidade viesse “a aumentar, gradualmente, para valores de 34% em maio, 49% em junho e 65% para os meses de julho, agosto e setembro”.

O número divulgado agora está, no entanto, em linha com os últimos dados partilhados pela nova CEO, Christine Ourmières-Widener. “Neste momento, estamos a retomar a nossa operação comercial com aproximadamente 50% da nossa capacidade, comparativamente aos níveis de 2019″, escreveu num texto enviado aos clientes da empresa no início de julho, pouco depois de assumir o cargo.

Os 50% representam, ainda assim, uma forte recuperação face ao verão de 2020, quando a TAP registou uma redução de capacidade de 88% em julho, de 75% em agosto e de 72% em setembro.

Os últimos dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) indicam uma redução de capacidade de 51,6% na indústria em junho. Nesse mês, a TAP transportou 424,9 mil passageiros, 16 vezes mais do que no mesmo mês do ano passado, mas menos 73% do que em junho de 2019.

O segundo trimestre já evidenciou uma forte recuperação do tráfego aéreo em Portugal. O último boletim estatístico da ANAC dá conta de 54 mil movimentos nos aeroportos nacionais, o dobro do registado entre janeiro e março e quase cinco vezes mais do que no mesmo período do ano anterior.

A melhoria é evidente também nos 3,38 milhões de passageiros transportados entre abril e junho, mais 178% do que no primeiro trimestre e quase nove vezes mais do que nos meses homólogos. Uma evolução que a ANAC justifica com a redução dos números da pandemia. “No início de maio, Portugal ocupava a posição de país da UE com menos casos diários de infeção por SARS-CoV-2 e com menos mortes por milhão de habitantes, reunindo algumas condições para iniciar uma recuperação do turismo e, consequentemente, do setor da aviação”, escreve o regulador.

Ainda assim, “o enquadramento normativo aplicável ao transporte aéreo, designadamente as restrições impostas aos voos provenientes de países que não integram a UE, bem como a obrigatoriedade de apresentação de teste PCR negativo ou de Certificado Digital Covid, por parte dos passageiros, e as diferentes velocidades de implementação das mesmas na Europa”, acabaram por condicionar a recuperação do setor. Apesar da evolução positiva, quer os movimentos (-54%) quer o número de passageiros (-78%) continuam muito aquém dos níveis do segundo trimestre de 2019.

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