Low cost ganham quota à TAP nos aeroportos nacionais

Ryanair, Easyjet e Transavia estão a recuperar mais rapidamente o transporte de passageiros. TAP ainda lidera com grande margem, mas a distância encurtou no segundo trimestre.

A TAP teve, de longe, a maior quota nos aeroportos nacionais no segundo trimestre, com 33,9% dos passageiros transportados. Mas as low cost estão a recuperar mais rapidamente, diminuindo a distância para a companhia aérea de bandeira, que tem em curso um agressivo plano de reestruturação.

O boletim estatístico da ANAC só divulga as quotas por aeroporto. Fazendo os cálculos para o peso global verifica-se que as maiores low cost ganharam quota à TAP entre abril e junho, um período marcado por uma forte retoma no tráfego aéreo. Ryanair, Easyjet e Transavia transportaram, em conjunto, 41,7% dos passageiros no segundo trimestre, contra 33,9% da TAP. No trimestre anterior, as três companhias de baixo custo não chegavam ao peso da TAP, com 35,2% contra 39,8% da portuguesa.

O recuo na quota da TAP deve-se ao crescimento mais acelerado das low cost. Extrapolando as quotas para o número de passageiros, é possível concluir que a TAP regista um crescimento em cadeia de 137%, ou 662 mil passageiros. Já a Ryanair acelera 292% ou 536 mil passageiros, a Easyjet 162% ou 266 mil passageiros e a Transavia 224% ou 181 mil passageiros.

O peso da TAP no transporte aéreo durante o segundo trimestre ficou também abaixo do registado no mesmo período de 2019, antes da pandemia, quando a companhia transportou 35,9% dos passageiros que passaram nos aeroportos de Lisboa, Porto, Faro, Funchal e Ponta Delgada. Nessa altura, as três principais low cost em Portugal pesavam 34,6% no total.

A Ryanair, que contestou as ajudas de Estado à TAP no Tribunal Geral da União Europeia, contribuindo para que Bruxelas abrisse um processo de investigação aprofundada, é a principal responsável por esta aceleração, ganhando 6,2 pontos percentuais de quota entre o primeiro e o segundo trimestre. A Transavia passou de um peso de 6,6% para 7,7%. Já a EasyJet registou uma ligeira redução, de 13,5% para 12,7%, apesar do forte incremento no número de passageiros. Também a SATA baixou, de 10,7% para 7,9%.

Peso da TAP recuou em quase todos os aeroportos

A queda na quota da TAP verificou-se em todos os aeroportos, com exceção de Ponta Delgada. Em Lisboa, o recuo foi de apenas 1 ponto percentual, de 51% para 50%. No Porto desceu de 15% para 12%, em Faro de 9% para 5% e no Funchal de 38% para 31%.

A companhia aérea está a avançar com um plano de reestruturação com vista à viabilização de empresa, cuja versão final está ainda dependente da aprovação de Bruxelas. A Comissão Europeia anunciou a 16 de julho que deu início a uma investigação aprofundada para avaliar se as ajudas públicas que Portugal tenciona conceder à TAP, no valor de 3.200 milhões de euros, estão em conformidade com as regras da União Europeia em matéria de auxílios estatais.

O processo de consulta pública do plano da TAP, em que os interessados se podem pronunciar, teve início no dia 6 de agosto e tem a duração de um mês. O seu figurino atual prevê a saída de 2.400 trabalhadores, um quarto da força de trabalho da TAP, bem como uma redução de 50% nos salários dos pilotos e de 25% nos restantes trabalhadores. A frota que existia no final do primeiro semestre de 2020, de 108 aviões, será cortada para apenas 88 e o número de rotas operadas pela companhia encolhe.

O segundo trimestre já evidenciou uma forte recuperação do tráfego aéreo em Portugal. O último boletim estatístico da ANAC dá conta de 54 mil movimentos nos aeroportos nacionais, o dobro do registado entre janeiro e março e quase cinco vezes mais do que no mesmo período do ano anterior.

A melhoria é evidente também nos 3,38 milhões de passageiros transportados entre abril e junho, mais 178% do que no primeiro trimestre e quase nove vezes mais do que nos meses homólogos.

Como avançou ontem o ECO, a TAP está a recuperar progressivamente a capacidade e aponta agora para uma redução de 50% nos meses de verão, face aos níveis registados no mesmo período de 2019. Em 2020, a TAP registou uma redução de capacidade de 88% em julho, de 75% em agosto e de 72% em setembro.

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