Há 13 banqueiros a receber mais de um milhão em Portugal

Havia em Portugal 13 banqueiros ou profissionais a trabalhar para a banca com remunerações acima do milhão de euros em 2019, segundo a EBA. O Reino Unido tinha mais de 3.500.

Trabalhar na banca já foi mais atrativo do que é atualmente. O setor atravessa uma profunda reestruturação, acelerada pela pandemia, e navega uma onda de despedimentos em massa. Ainda assim, sempre foi vista como uma indústria que pratica bons salários e os dados revelados esta quarta-feira pela Autoridade Bancária Europeia (EBA) dão força a esta ideia: quase 5.000 trabalhadores de bancos europeus receberam mais de um milhão de euros em 2019.

De acordo com o mesmo relatório (pode ser consultado aqui), havia em Portugal 13 banqueiros ou profissionais a trabalhar para a banca que auferiram remunerações acima do milhão de euros naquele ano – em média, cada um recebeu 1,5 milhões de euros. No ano anterior eram 15, acima dos oito em 2017.

Sem identificar quem são e onde trabalham estes banqueiros, a EBA detalha que quatro tinham funções de gestão no banco, outros dois de supervisão, dois trabalhavam na banca de investimento, quatro na banca de retalho, sobrando um trabalhador que estava classificado como tendo “outra” função.

O regulador europeu esclarece ainda que, para Portugal, “cinco destes 13 indivíduos foram reportados como tendo rendimentos elevados devido aos montantes de indemnizações que foram pagas em 2019”.

Através da informação disponibilizada anualmente pelos bancos é possível ter uma ideia dos vencimentos dos banqueiros. Por exemplo, Pablo Forero, antigo CEO do BPI, integrará esta lista, depois de ter recebido 1,1 milhões de euros naquele que foi o seu último ano na liderança do banco detido pelos espanhóis do CaixaBank, de acordo com o relatório e contas daquele ano.

Para chegar a estes números, a EBA contabiliza vários elementos da remuneração, além da componente fixa: bónus, prémios de longo prazo, contribuições para a pensão e indemnizações.

Reino Unido lidera apesar do Brexit

Sendo a casa dos maiores bancos europeus, o Reino Unido é quem lidera a lista da EBA: mais de 70% dos trabalhadores da banca com rendimentos mais elevados trabalhava em solo britânico. Eram 3.519 trabalhadores em 2019, o que representa uma descida ligeira de 95 trabalhadores em relação a 2018.

Por outro lado, Alemanha (492, mais 9,3%), França (270, mais 15,4%) e Itália (241, mais 17%) aumentaram o número de banqueiros com remunerações anuais acima do milhão de euros.

A EBA justifica estas evoluções com o impacto da transferência de pessoal do Reino Unido para a União Europeia a 27 como parte dos preparativos do Brexit, com os bons resultados financeiros globais em alguns bancos e com a reestruturação e consolidação de bancos em curso, o que conduziu a indemnizações por rescisões superiores ao normal.

Com 13 banqueiros a receberem mais de um milhão, Portugal situa-se no 13.º lugar do ranking europeu, imediatamente à frente da Noruega (12) e Polónia (9) e atrás da Bélgica (17) e Luxemburgo (22).

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