BCE reconhece “risco” de aumento da inflação no curto prazo, mas subida é “transitória”

O Banco Central Europeu (BCE) mantém a tese de que a subida da taxa de inflação é "transitória", mas reconhece que há "riscos ascendentes" no curto prazo.

As minutas da última reunião de política monetária entre os governadores dos bancos centrais da Zona Euro mostram que a opinião de que o aumento da taxa de inflação é “transitória” continua a ser dominante. Porém, o texto reconhece que há “riscos no sentido ascendente” no curto prazo, uma classificação que muda quando se olha para o médio prazo, ainda que essa avaliação seja mais “incerta”. Quanto à redução da compra de ativos, a atenção do BCE não está para aí virada, ao contrário da Fed que já sinalizou a retirada gradual dos estímulos até ao final do ano.

Os membros [do conselho de governadores do BCE] concordaram em grande medida que, ainda que as perspetivas da inflação tenham melhorado, mantém-se a alguma distância do nível visado pelo BCE“, lê-se nas minutas divulgadas esta quinta-feira. Recentemente, o banco central da Zona Euro mudou o seu objetivo de uma inflação “próxima, mas abaixo de 2%” para um objetivo mais simples de 2%. As minutas atiram para setembro uma avaliação mais completa do estado da inflação para setembro quando receber as novas projeções económicas da equipa do BCE.

Porém, já em julho, quando se realizou a última reunião da política monetária, o BCE reconhece que os “riscos” relativos à inflação estão cada vez mais “no sentido ascendente”, algo que é “claro” no “curto prazo”. No médio prazo, tal não se aplica tanto, mas a incerteza mantém-se. A opinião dominante no BCE continua a ser a de que este aumento da inflação na Zona Euro é “principalmente transitório”. A expectativa é que “a capacidade por utilizar” na economia, o “fraco crescimento dos salários” e a apreciação do euro contribuam para atenuar as pressões temporárias nos preços provocadas pela pandemia.

A maior parte da reunião foi focada na discussão da adaptação da política monetária do BCE à nova estratégia anunciada recentemente e o tema da redução da compra de ativos não se destacou, ao contrário do que acontece nos EUA em que a Reserva Federal norte-americana deu a entender que irá começar a reduzir as compras, de forma gradual, até ao final do ano. Alguns governadores do BCE terão apenas apontado que a orientação futura da política monetária (“forward guidance”), se for credível, pode reduzir a necessidade de outro tipo de instrumentos, como é o caso da compra de ativos.

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