Três dias, três recordes no preço da eletricidade. Ministro diz ter “almofadas” para travar subida das faturas

Amanhã, 1 de setembro, o Mibel vai bater um novo recorde de 132,47€/MWh. Matos Fernandes não promete nada, mas tem "muitas almofadas" para "inibir o aumento do preço da eletricidade aos consumidores".

Mais um dia, mais um recorde do preço da eletricidade no mercado grossista ibérico (Mibel). Depois dos 124,45€/MWh registados na segunda-feira e dos 130,53€/MWh desta terça-feira, o Omie avança para amanhã, 1 de setembro, um novo máximo histórico: 132,47€/MWh.

Agosto teve assim oito recordes (cinco deles em dias consecutivos, entre os dias 9 e 13), o que fez com que o mês fechasse com um um preço médio de 105,99 euros/MWh em Portugal, ligeiramente acima do que no mercado espanhol (105,94€/MWh). Em termos anuais, mostra o Data Hub da REN que o preço médio no Mibel está praticamente dos 69 euros por MWh.

Perante estes números — e depois de fonte oficial já ter dito ao ECO/Capital Verde que o Governo “está atento”, sem alarmismos, mas descarta aumentos e fala em “medidas em benefício dos consumidores” — o ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, voltou a sublinhar que dispõe de “muitas almofadas” para “inibir o aumento do preço da eletricidade aos consumidores” ou, até mesmo, “reduzir” esse preço.

Em declarações aos jornalistas à margem da apresentação dos Vales Eficiência, transmitidas pela SIC Notícias, o ministro garantiu que o Governo tem “uma vontade muito grande, sem qualquer promessa, de fazer com que a eletricidade não aumente”. Matos Fernandes lembrou ainda que desde que está no Governo o preço da energia elétrica caiu 11% e frisou que o aumento dos custos de produção de eletricidade (por causa dos preços do gás natural e das licenças de emissões de CO2 em alta) “é um fator que inibe a possibilidade de podermos reduzir” tarifas.

“Temos é, de facto, muitas outras almofadas para o poder contrariar”, disse, lembrando que “quem faz a conta final é a ERSE”. A 15 de outubro o regulador vai apresentar a sua proposta tarifária para 2022, cuja versão final ficará depois fechada em dezembro.

Matos Fernandes descartou por isso um possível efeito imediato nas contas da luz, como previsto pelo Governo de Madrid. Quem vende eletricidade não tem feito nenhum aumento no preço. A situação de Portugal é completamente diferente da de Espanha, porque embora o preço base para Portugal e Espanha seja o mesmo, lá a maior parte dos contratos e das variações são mensais. Em Portugal são anuais, não há qualquer comparação”.

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