Mármore alentejano “parte pedra” em Milão

O programa Line of Marple é apresentado num evento de design de mobiliário em Itália. As exportações de pedra portuguesa cresceram 20% no primeiro semestre. China, França e Espanha lideram compras.

É num “palco privilegiado para mostrar a capacidade e versatilidade da indústria nacional, que é capaz de fazer diferente e, assim, aumentar o potencial de exportação e valorizar aquele que é um produto de excelência português”, que vai ser lançado esta segunda-feira o Line of Marble, o novo programa de promoção internacional do mármore português.

Iniciativa conjunta da Associação Cluster Portugal Mineral Resources (ACPMR) e da Assimagra – Associação Portuguesa da Indústria dos Recursos Minerais, a apresentação tem como palco a Super Salone e a Milan Design Week, em Itália – o evento de referência mundial para o setor do mobiliário, sobretudo na área do design – e como testemunhas os secretários de Estado da Economia, João Neves, e da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias.

Em destaque está uma linha de produtos e objetos funcionais de uso diário e de mobiliário em mármore alentejano, idealizados por nove ateliês nacionais e estrangeiros de design e arquitetura, como Gabriel Tan, Marta Brandão e Mário Sousa, Noé Duchaufour-Lawrance, Paula Moucheira, Sam Baron e Toni Grilo. O fornecimento de pedra, a produção e a execução das peças ficou a cargo das empresas Airelimestones, Formas de Pedra, Magratex, Netostones, Moca Stone e Solubema e ETMA.

“O mármore português e, neste caso específico, o alentejano, tem possibilidade de se afirmar cada vez mais internacionalmente em vários campos, tendo em conta as infinitas possibilidades de aplicação, desde o mobiliário à decoração, passando pelo lado funcional”, sublinha Marta Peres, diretora executiva do Cluster, que neste projeto beneficiou de financiamento europeu através do programa Alentejo2020.

Apesar da reduzida dimensão territorial, Portugal está historicamente nos primeiros dez lugares (ocupa atualmente a 7.ª posição mundial e a 3.ª a nível europeu) entre os principais produtores e exportadores de pedra natural para fins ornamentais. A quota de mercado portuguesa está a subir desde 2015, tendo representado em 2020, segundo dados provisórios, 2,6% do comércio mundial.

"O mármore português tem possibilidade de se afirmar cada vez mais internacionalmente em vários campos, tendo em conta as infinitas possibilidades de aplicação, desde o mobiliário à decoração, passando pelo lado funcional.”

Marta Peres

Diretora executiva da Cluster Portugal Mineral Resources

 

O setor da pedra natural para fins ornamentais é constituído maioritariamente por pequenas e médias empresas (PME) de base familiar, que asseguram 13.380 postos de trabalho diretos, num total de 2.112 empresas (410 de extração e 1.693 de transformação) distribuídas de norte a sul do país, mas geralmente concentradas nas regiões onde também existe o recurso mineral.

É o caso do triângulo Borba / Vila Viçosa / Estremoz no caso dos mármores; de Pero Pinheiro, Santarém, Porto de Mós, Alcobaça e Ourém que concentram os calcários; ou de Monção, Vila Pouca / Pedras Salgadas, Ponte de Lima, Penafiel, Moimenta ou Pinhel que são a chamada zona dos granitos. Portugal extrai e transforma também xisto, basalto e variações destes.

Preços a subir na exportação

Depois de seis anos consecutivos de crescimento, com uma média de 6% ao ano nesse período que elevou o valor das exportações para 427 milhões de euros em 2019, as vendas ao exterior da indústria extrativa e de transformação de pedra registaram uma quebra homóloga de 14% em 2020, arrastadas pela pandemia, o que equivaleu a menos 60 milhões de euros e menos 410 mil toneladas de produto exportado.

Já no primeiro semestre de 2021, os números mais recentes disponibilizados pela Assimagra, a partir das estatísticas de comércio internacional do INE, mostram que as exportações portuguesas de pedra natural cresceram 20,3% em valor e 27,6% em volume, face aos primeiros seis meses do ano anterior.

Com crescimentos homólogos de 20,5%, 24% e 8,9% até junho, China, França e Espanha continuam a ser os melhores mercados para a pedra natural portuguesa. Do top 10 de destinos, à exceção dos clientes franceses e espanhóis, todos os outros subiram o preço médio da tonelada de produto exportado. Na primeira metade deste ano, os chineses pagaram mais 4,7%, embora os suecos sejam imbatíveis no crescimento do preço médio (27,8%).

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