Fujifilm Portugal é a primeira do mundo a integrar nova área médica

A subsidiária portuguesa já assumiu o controlo local das operações da Fujifilm Healthcare, que vai obrigar a novas contratações. A área da saúde vale quase metade da faturação do grupo em Portugal.

A Fujifilm Portugal é a primeira das 280 subsidiárias que a multinacional tem espalhadas pelo mundo a realizar a integração total das soluções da Fujifilm Healthcare na área de sistemas médicos que a companhia japonesa já tinha, na sequência da aquisição da Hitachi Diagnostic Imaging (HDI) por 1,3 mil milhões de euros, concretizada a 1 de abril.

Sediada em Vila Nova de Gaia, a estrutura assumiu no início de setembro o “controlo total das operações e soluções” da operação ligada à área médica que resultou da aquisição e incorporação da também japonesa HDI. Assumindo que este pioneirismo é “uma honra e, simultaneamente, uma grande responsabilidade”, o diretor geral para os dois mercados ibéricos, Pedro Mesquita, detalhou ao ECO as razões que aceleraram este processo em Portugal.

“A integração rápida foi permitida pela escala e pela especificidade do mercado português, pelo facto de a HDI não ter footprint no país – operava com uma rede indireta, via distribuidores –, pela relação que temos com os PALOP [países africanos de língua oficial portuguesa, controlados a partir de Portugal] e também teve a ver com as competências e o trabalho que temos vindo a desenvolver neste domínio em Portugal e que mostraram à Fujifilm Europa que somos capazes de incorporar rapidamente a nova área”, resumiu o gestor.

"Esta integração [do portefólio da Hitachi Diagnostic Imaging] reforça e consolida a área médica como a principal da empresa em Portugal, que já é em termos de valor, de colaboradores e de potencial de crescimento.”

Pedro Mesquita

Diretor geral da Fujifilm Portugal e Espanha

Criada em julho, a Fujifilm Healthcare resultou da junção da Fujifilm Medical Systems, que já operava nas áreas da mamografia, ecografia ou radiologia convencional, com a adquirida HDI, que “traz o equipamento pesado, como os sistemas de TAC (Tomografia Axial Computorizada), a ressonância magnética e um portefólio vastíssimo na área da ecografia geral”. Passa assim a ser um “fornecedor de A a Z” em soluções de diagnóstico por imagem.

Área médica já domina em Portugal

Apesar de ter começado e ser ainda hoje mais conhecida pela fotografia, esta área original de photo imaging já só vale 14% da faturação da Fujifilm a nível global. E a pandemia de Covid-19 – em que esteve envolvida ao nível da biotecnologia, do diagnóstico e do tratamento – acabou por acelerar a estratégia global de aposta na área médica. No caso da operação portuguesa, Pedro Mesquita calculou que este segmento já representa atualmente cerca de 47% do negócio.

“Agora esta integração [do portefólio da Hitachi] vai reforçar e consolidar o medical como a principal área de negócio da empresa em Portugal. Que já é, tanto em termos de valor, como de headcount [número de colaboradores] e de potencial de crescimento”, sublinhou este radiologista de formação, que no final de 2017 sucedeu ao espanhol Antonio Alcalá no controlo das duas operações ibéricas, passando a dividir o tempo entre Gaia e Barcelona.

Das 105 pessoas que compõem a estrutura em Portugal, cerca de 60 estão direcionadas para a área médica. E a reboque da incorporação agora concretizada, Pedro Mesquita adianta ao ECO que a subsidiária da Fujifilm vai “expandir para dar serviço ao mercado, seja na área comercial, de aplicações ou de serviços profissionais”. “Temos de reforçar entre 5% a 10% o número de pessoas da área médica porque há uma série de serviços que são complementares”, acrescentou.

Pedro Mesquita anunciou a incorporação da Fujifilm Healthcare na subsidiária portuguesa, sediada em Gaia.D.R. 7 Setembro, 2021

É também em Portugal que a multinacional asiática tem concentrada, há cerca de quatro anos, a atividade de reparação de equipamentos de endoscopia. Começou por prestar assistência técnica apenas aos dois mercados ibéricos e está agora a “trabalhar para mais dois ou três países na Europa”, como é o caso de França, tendo ocupado entretanto um edifício completo no vizinho Candal Park.

Mesquita sustenta que este centro de reparação de endoscópios foi “outro dos motivos para que a holding confiasse na estrutura portuguesa”. A par do Fujifilm Vasco da Gama, um centro de desenvolvimento de software dedicado à área médica que trabalha para o grupo a nível global. Esta equipa, que trocou uma incubadora instalada em São Félix da Marinha pelo piso térreo da Tower Plaza, onde está a sede da subsidiária portuguesa, desenvolve workflows clínicos que já estão instalados em mais de duas centenas de hospitais de todo o mundo, da Ásia à América Latina.

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